Sbat, Dramaturgia e Durex

Publicado em: 19/04/2010

“A Sbat (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) não tem mais controle sobre o dramaturgo. Eles não fiscalizam como deveriam as montagens teatrais. Se não fiscalizam aqui em São Paulo, imagina no interior do Estado. Já vi divulgação de peça minha no interior, sem minha autorização. É triste”, afirma Noemi Marinho, dramaturga convidada para o Ateliê Temático da SP Escola de Teatro, em encontro com os aprendizes de dramaturgia na manhã de sexta-feira, dia 16 de abril.


“Apesar disso, sou uma das poucas pessoas da minha geração que ainda está filiada a Sbat, que foi fundada, entre outras pessoas, por Chiquinha Gonzaga. Sonho o dia em ver a Sbat mais organizada, como foi em outros tempos”, concluiu Noemi.
 Apesar do comentário, esse não foi o assunto foco do dia. A dramaturga falou sobre a criação autoral do espetáculo “Fulaninha & Dona Coisa”, o primeiro texto da escritora. A partir daí, outros assuntos foram surgindo. Os aprendizes, que leram a peça antes do encontro, elogiaram a atualidade da história. “Além de o espetáculo ter uma linguagem acessível, o texto questiona, de maneira direta, o papel de cada um na organização social das cidades”, acredita o aprendiz Dhaniel Ruggio.


CORTAR E COLAR
Quando não existia computador, o ato de cortar e colar as falas de um texto para depois colocar em outro lugar da peça era complicado. Noemi Marinho conta que fazia isso com tesoura e durex, ao invés do simples toque no teclado. “Imagina você reescrever o texto inteiro cada vez que resolve mudar uma cena ou fala de lugar. Era impossível”, brinca a escritora.


Os aprendizes ficaram encantados com a presença da dramaturga, que, a cada palavra, dava um jeito de brincar e fazer rir. No decorrer da explanação da autora, os alunos faziam perguntas e refletiam sobre a criação do escritor teatral contemporâneo.


Um dos questionamentos mais interessantes foi sobre a questão da racionalidade e da intuição na hora de escrever. “Escrevo quando a história está para explodir dentro de mim. Hoje, percebo que os textos modernos estão presos na forma. Tanto o teatro experimental quando o realista. É preciso ousar mais”, define a dramaturga.
SERVIÇO
Saiba mais sobre Noemi Marinho na Enciclopédia Virtual do Teatro Brasileiro.

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