Satyrianas e SP Escola de Teatro | Projeto Ouvi Contar

Publicado em: 09/11/2010

Onze moradores da Praça Roosevelt receberão em suas residências, durante a “Satyrianas – Uma Saudação à Primavera”, entre os dias 25 e 28 de novembro de 2010, atores iniciantes e consagrados, além de moradores da própria Praça para uma leitura dramática de textos teatrais de jovens dramaturgos aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Esse é o projeto “Ouvi Contar”, uma ousada experiência de teatro em domicílio, idealizada pelo fundador da Cia. Os Satyros, Ivam Cabral, e pela dramaturga e também, coordenadora do curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro, Marici Salomão.

 

O “Ouvi Contar” é um Teatro de Poltrona que reúne textos teatrais selecionados pela dramaturga Marici Salomão, criados durante a prática do exercício “Deus Locutor”, realizado no primeiro semestre de 2010, no componente “Técnicas de Enredo e Personagem”, dentro do curso de Dramaturgia. O objetivo é que todos, espectadores e atores, desfrutem de prazerosos momentos de quebra da rotina por meio do encontro de artistas e moradores da Roosevelt.

 

Para o exercício, Marici propôs fundamentalmente a criação de textos curtos, balizados pela presença de características de um teatro dissociado das formas convencionais dramáticas. Além disso, elencou-se, em primeiro plano, a presença de traços ou figuras, no lugar de personagens; de espaços não definidos e tempos não lineares, no lugar de cenários ou do uso do tempo real; da presença de diversas vozes narrativas que podem se cruzar, no lugar dos diálogos tradicionais emitidos por personagens definidos; da presença do narrador direto ou indireto, no lugar do drama autônomo.

 

Como deuses onipresentes e oniscientes em seus próprios textos, os autores foram convidados a acompanhar/escrever as cenas de diversos ângulos e pontos de vista, em textos com aparência de monólogo em que o(s) ator(es) fosse(m) atravessado(s) por um sem número de vozes e personagens.
 
 

“Um dos objetivos da Satyrianas é agregar artistas que estão começando dentro dessa programação. O “Ouvi Contar” é um exemplo dessa ideia. Ver esses novos trabalhos, que surgiram dentro de salas de aula na SP Escola de Teatro, fora a possibilidade inovadora de participar dessas apresentações dentro dos apartamentos dos moradores da Praça Roosevelt, é fantástico. E quem não gosta de tomar um chá e ouvir histórias ao pé do ouvido?”, pergunta Gustavo Ferreira, coordenador geral das Satyrianas.

 

Tudo começou no final do ano de 2000, com a chegada da Cia. de Teatro Os Satyros à Praça Rossevelt. Retomando uma ideia antiga, na primavera de 2001, a companhia propôs uma festa de celebração ao Teatro em seu palco, no número 214, da mesma. Nascia então, a Satyrianas, uma festa que tem duração de 78 horas ininterruptas, que celebra a força, o vigor e a resistência dos novos grupos e atores paulistanos. Um encontro onde se respira teatro.

 

Ano após ano, essa celebração leva ao centro da capital paulista, espetáculos, artistas e grupos de teatro, além de possuir inúmeros espaços culturais como o “Dramamix” (projeto voltado à nova dramaturgia, onde autores convidados apresentam peças inéditas, de até 20 minutos, escritas especialmente para o evento, de hora em hora); o “Cenamix” (espaço dedicado a espetáculos teatrais, estudos cênicos, shows musicais, etc); a “Residência” (local ocupado por intervenções e trabalhos de grupos e diretores convidados); “Fotomix” (que promove a troca e registro de imagens e informações entre fotógrafos); o “Café Literário” (que oferece debates sobre teatro, literatura, jornalismo, crítica e dramaturgia); a “Satyras na Dança” (um ambiente para reflexões e apresentações de espetáculos sobre a atual produção de dança em São Paulo) e o “Visumix” (reservado a projeções de filmes de arte e exposição do artista plástico Fábio Delduque).

 

Além do “Ouvi Contar”, as novidades da 11ª edição da Satyrianas são os espaços culturais “Diálogos” (um espaço que busca o diálogo artístico para observação estética e crítica dos espetáculos) e o “Feminix” que convida o público em geral para conhecer o ser feminino com exibição de fotografias de mulheres dos Satyros e de Bukavu (Congo), instalação e rodas de conversas. Também está programada uma Jam Session de HQ na livraria HQ Mix.

 

Em outra iniciativa inédita, esta edição das Satyrianas contará com ingressos gratuitos em espetáculos apresentados em grandes casas. Estas parcerias com Teatro Folha e Estudio Emme permitirão que os espectadores da Satyrianas possam também assistir a trabalhos de outras linguagens. E finalmente, o Teatro da Vertigem fará uma intervenção performática nas ruas da Bela Vista, durante o evento.

 

No ano passado, a Satyrianas contou com mais de 50.000 espectadores que ocuparam 33 espaços pela cidade. Para conferir a programação completa, acesse www.satyros.com.br/satyrianas