“São Paulo Chicago”, de Francisco Carlos, entra em cartaz na SP Escola de Teatro

Publicado em: 20/03/2014

Está em cartaz na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco o espetáculo “São Paulo Chicago”, do dramaturgo e encenador amazonense radicado em São Paulo, Francisco Carlos. A montagem, criada a partir da residência que o artista cumpriu na Escola em 2013, tem sessões aos sábados e domingos, às 20h, até o dia 8 de junho.

 

“Este é nosso primeiro experimento cênico do projeto sobre a história do bandeirismo paulista, com pontos de vistas sobre essa história, críticas e controvérsias”, explica o diretor. Primeira parte de um projeto que ganhará continuidade ao longo deste ano, o espetáculo acontece “num formato de ‘jam session cênica’ e desconstrói acontecimentos históricos paulistas de 1890 a 1930”.

 

Na trama da montagem, os Barões do Café querem ser vedetes políticas e culturais, já que são a locomotiva econômica do País. Os historiadores sócios do Instituto Histórico de São Paulo, todos eles pertencentes ou ligados a essa elite cafeeira, evocam um símbolo, um mito: o bandeirante. Heroicizam, glorificam, na crise e em alta do Café.

 

“São Paulo Chicago” (Foto: Eduardo Martins)

 

Junto com artistas, escritores e cientistas paulistas, eles constroem uma epopeia paulista burguesa. Uma terra de gigantes. São Paulo torna-se, assim, imagem e semelhança de Chicago. Uma metrópole substituindo a cidade colonial. Mas fora da Odisseia Bandeirante estão negros e índios.

 

Com direção geral e texto de Francisco Carlos, a peça tem no elenco André Ascarelli, André Hendges, Day Porto, Eloisa Leão, Fabiana Serroni, Fernando Delabio, Luciana Canton, Paulo Gaeta, Ricardo Nash, Roberto Borenstein, Wilson Aguiar.

 

A residência

O projeto, fruto de uma parceria entre a SP Escola Teatro, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária/USP e o Instituto de Psicologia/USP, promoveu, a partir de agosto, um ciclo de conferências que tinha como objetivo “formar um corpo teórico, um mosaico de ideias e linguagens desenvolvidos no processo dramatúrgico-cênico da residência”, como explica o diretor artístico do projeto. Os encontros contaram com a participação de nomes como a diretora teatral, escritora e pesquisadora Ingrid Koudela, e o cientista social guarani Emerson Oliveira, entre outros.

 

Movido pela temática central o conflito entre o branco (especialmente os bandeirantes) e os índios, parte fundamental da história de São Paulo, a pesquisa atentou para “400 anos de uma história que é muito cara a São Paulo, mas que também é repleta de controvérsias”, segundo Francisco.

 

Para criar a peça, o programa teve, além das palestras, laboratórios e ensaios, dos quais também participaram aprendizes da Escola. 

 

O início

O projeto da residência teatral surgiu a partir de dois convites feitos a Francisco Carlos: um por Ivam Cabral, diretor executivo da Escola, e outro por Danilo Silva Guimarães, professor doutor do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP.

 

Em 2011, Francisco Carlos promoveu um ciclo de estudos e debates teatrais chamado “Relatos Canibais”, que colocava em pauta temas como guerra e o canibalismo tupinambá e seus desdobramentos em nossas poéticas-políticas dramatúrgicas e cênicas. Danilo passou a frequentar os encontros semanais e convidou para que os artistas se aproximassem de seu departamento na USP. Ali, foi criado um grupo de estudos e difusão de ideias com foco centrado sobre as subjetividades indígenas.

 

Mais tarde, no primeiro semestre de 2013, eles planejaram fazer no segundo semestre, como forma de compartilhar com o público as pesquisas do grupo, a micro residência teatral “Sonata Fantasma Bandeirante”. Nessa ocasião, Ivam Cabral o convidou para mais uma residência, também no segundo semestre. “Topei na hora porque eu e Ivam, juntos, já realizamos algumas aventuras no teatro das quais, segundo Ivam, até deus duvida. Assim, tivemos a ideia de juntar as duas residências e as duas instituições num projeto único e o que era pra ser uma micro residência ampliou-se em grande escala”, observa.

 

Ficha técnica: 

Elenco: André Ascarelli, André Hendges, Day Porto, Eloisa Leão, Fabiana Serroni, Fernando Delabio, Luciana Canton, Paulo Gaeta, Ricardo Nash, Roberto Borenstein, Wilson Aguiar

Texto, encenação e direção geral: Francisco Carlos

Diretor de movimento: Wilson Aguiar

Diretor e operador de som: Kleber Nigro

Assistentes de direção: Rachel Seixas e Fernando Delabio

Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro

Coordenador de temporada: Antônio Franco

 

Serviço

“São Paulo Chicago”

Quando: Sábados e domingos, às 20h (de 22/3 a 8/6)

Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt

Praça Roosevelt, 210 – Centro 

Tel.: (11) 3775-8600

Ingresso: R$ 20

 

 

Texto: Felipe Del

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