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Sair do Papel e Enfrentar o Mundo

Publicado em: 06/10/2010

Processo, Experimento e Formação são as etapas dos módulos pedagógicos dos Cursos Regulares da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Os primeiros 200 aprendizes da Escola já chegaram ao Experimento, momento de execução e de colocar em prática o que aprenderam na teoria até agora.

Assim, se inicia mais uma etapa do Módulo Amarelo, período em que esses artistas se dirigem a projetos diferenciados, integrando vários grupos que se formam com a mesclagem dos aprendizes de toda a Escola.

Portanto, é oportunidade do encontro e da produção artística, quando os oito cursos poderão compartilhar e estruturar processos de criação, tendo como fio condutor tudo o que se refere a elementos do teatro épico e a ocupação de lugares não edificados para fins teatrais.

A intenção é que os aprendizes se utilizem de todos os elementos possíveis do teatro épico e dialoguem com a tradição oral, com o conceito de estranhamento; o deslocamento do sujeito e coralidade; a estrutura do épico (onde os acontecimentos não se constituem linearmente) e a ideia do espectador como cocriador. Além disso, deverão se utilizar das narrativas e de seus procedimentos como, por exemplo, colagem e montagem, quebra do tempo e espaço, multiplicidade, imagem e sobreposição.

O Experimento também prevê é que os espetáculos operem um lugar, sem tornar o espaço hiper-realista. Para isso, com os ouvidos e olhos abertos à contaminação  e percepção sonora e visual, os aprendizes aguçaram seu o olhar e movimento pela cidade para perceber e conhecer a história, a vida e a alma desses possíveis espaços teatrais.

Os grupos ainda se prepararam com afinco no estudo sobre espaço e lugar teatral. Realizaram estudos pontuais sobre a cartografia da cidade e o espaço teatral grego e a polis (espaço medieval). Ação e modos de ocupação dos espaços e lugares na cidade pelo teatro também foram alvo de estudos, tomando como exemplo as companhias Vertigem, Oficina, Satyros, Brava Cia; e Coletivo Dolores, entre outros.

Durante as próximas semanas, passado esse período de concentração e investigação artística, os aprendizes, coordenadores e formadores trabalharão num ritmo acelerado para realizar espetáculos inspirados nos textos “Santa Joana dos Matadouros”, de Bertold Brecht; “Hamlet Machine”, de Heiner Muller; “As Troianas”, de Eurípedes; “ O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade; “Ubu Rei”, de Alfred Jarry; “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare; “Macunaíma, de Mário de Andrade e “As Rãs”, de Aristófanes.

Os grupos formados para o Experimento ensaiam arduamente, de quinta-feira à sábado, nos espaços teatrais escolhidos para os espetáculos ou realizando um rodízio nas salas na Escola. Será uma intensa fase preparação para a apresentação dos fragmentos dessas peças. Afinal, um olhar não se cria da noite para o dia e, para um artista, o que interessa é mudar de escala, sair do papel, da sala de aula e enfrentar o mundo.