Quando Plínio Marcos Foi ao Teatro Pornô

Publicado em: 23/04/2013

A seção Ponto desta semana viaja até o ano 2000 e revive um fato histórico do teatro: o dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999), que sempre visitou a boca-do-lixo em seus textos, seria, naquele ano, hóspede da boca-do-lixo, com a estreia de um de seus clássicos, “Dois Perdidos numa Noite Suja”, a peça mais encenada do autor, no palco do Teatro Orion, reduto de shows de striptease e sexo explícito ao vivo na Rua Aurora, região central da cidade.

O autor “maldito”, que retratou com crueza e humanidade o cotidiano de prostitutas, travestis, cafetões e marginais, era, então, celebrado no espaço em que sua dramaturgia encontrou terreno fértil.

A iniciativa partiu de dois atores desconhecidos e semiprofissionais, Guilherme Pereira e Lula Jorge. Eles foram às ruas, conviveram com mendigos e prostitutas, estudaram trejeitos e atualizaram a miséria urbana de Tonho (Pereira) e Paco (Jorge), os “Dois Perdidos numa Noite Suja”. A direção ficou a cargo de Jairo Maciel, professor da escola Macunaíma e colega de Plínio.

Neusa Sueli (“Navalha na Carne”), Dilma e Célia (“O Abajur Lilás”), as prostitutas de Plínio, ganhavam vida na montagem, ao vivo e em cores. Depois das performances individuais no palco, elas desciam para a plateia e se deixavam apalpar pelos espectadores.

À época, em entrevista à Folha de S.Paulo, o dono do espaço disse que a iniciativa visava atrair um novo público e “quebrar o preconceito” em relação às garotas. “Aqui é uma casa de show, não de prostituição”, afirmou.



 

Texto: Majô Levenstein