Provocações Auditivas

Publicado em: 01/03/2011

Fornecer elementos da linguagem contemporânea do áudio e da música, assim como tecnologias de manipulação e práticas para a compreensão do fenômeno sonoro, é o objetivo dos encontros semanais dos aprendizes de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco com o compositor e músico eletrônico Wilson Sukorski.

 

Segundo Raul Teixeira, coordenador do curso de Sonoplastia da Escola, as aulas com Sukorski são essenciais para estudar a performance, Eixo Temático do Módulo Azul. “Ele é um dos artistas mais importantes no que se refere à música contemporânea e, com isso, vai trazer seus conhecimentos científicos e práticos para estimular os aprendizes a criar musicas autorais em busca de novas sonoridades”, conclui.

 

Sukorski trabalha intensamente em várias atividades musicais no Brasil e no exterior. Compõe para cinema, vídeos experimentais e instalações; além de se apresentar como performer musical em shows e performances monoband no Brasil e no exterior. Atualmente, realiza pesquisas relacionadas à harmonia espectral, instrumentos virtuais e instalações sonoras.

 

Entre seus trabalhos no teatro, destacam-se os espetáculos “Vitória Sobre o Sol”, com direção de Renato Cohen; “Ulikses” e “Deméter e Pérsefone”, dirigidos por Sérgio Penna; “Anjo Negro”, encenado por Ulysses Cruz; “Um Céu de Estrelas”, sob direção de Lígia Cortez e “Senhorita Else”, encenado por Márcio Aurélio.

 

“Wilson é, acima de tudo, um artista provocador. Ele consegue desmistificar conceitos de senso comum, ação fundamental para incentivar a curiosidade e a vontade de aumentar o repertório dos aprendizes”, relata Martin Eikmeier, formador do curso de Sonoplastia.

 

As aulas serão divididas em duas partes, com duas horas cada, nas quais os aprendizes terão aula teórica e, na sequência, se dividirão em três estações de trabalho.

 

Na primeira aula, realizada na quarta-feira (23), a turma de Sonoplastia estudou o tema “Prisioneiros do Romantismo” e realizou audições com as músicas “Parsifal Overtoure”, de Richard Wagner, “Kontakte”, de Karlheinz Stockhausen, e “Symphonie pour un Homme Seul”, de Pierre Henry, além de estudos de técnicas de estúdio doméstico e profissional.

 

“Gostei do modo como ele abordou a opinião na música, por mais que afirmasse não gostar de algo, explicava o assunto. O que mais me marcou foi o fato dele ele afirmar que não existe receitas para criar na área, o importante é ser artista e abusar da criatividade”, revela Janis Narevicius dos Santos, aprendiz de Sonoplastia.

 

Nas aulas seguintes, aprendizes se focaram na física acústica musical, música eletrônica, operadores matemáticos e técnicos, performance e improvisação musical, paisagem sonora, ambientes acústicos, elementos de música digital ao vivo e impacto das novas mídias na produção e fruição da música.