Provocações

Publicado em: 16/08/2010

Por Grissel Piguillem, formadora do curso de Iluminação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco e desenhista teatral e gráfica.

 
A minha vida dentro do teatro aconteceu meio que por acaso, pode se dizer. Tinha cursado dois anos de Licenciatura em Ciências Biológicas, quando decidi mudar de ares e começar o que sempre tinha sonhado fazer: Desenho.

 

Foi assim que comecei a carreira de Licenciatura em Desenho Aplicado (Desenho Industrial), até me decidir por Desenho Gráfico. Ao terminar esses anos de estudo, achava que ainda poderia explorar mais o mundo do desenho e soube, por alguns dos meus companheiros, de um curso de nível universitário, chamado Desenho Teatral.

 

Nesse momento, sem saber muito mais, me inscrevi para as provas de admissão, que seriam realizadas em fevereiro do ano seguinte. E, para minha sorte, entrei. Assim, completei os quatro anos, dividindo meu tempo entre trabalho e estudo e, depois de dois anos de trabalho contínuo em Montevidéu, resolvi sair para e ver o mundo lá de fora e, também, de perto.

 

Quando cheguei a São Paulo, em 2008, tive a oportunidade de trabalhar com J. C. Serroni e, nesse momento, entendi que minha vida estava dentro das artes teatrais. Ainda não tinha muito definido se gostava mais de Figurino, Cenografia ou Iluminação.  Assistindo ao trabalho de Guilherme Bonfanti, e posteriormente acompanhando-o, entendi que a luz era aquilo que mais me interessava, e me fazia refletir sobre coisas que até esse momento não tinham me ocorrido. Coisas que ele chama de “provocações”. Hoje, dois anos e meio depois, tenho construído e afiançado meu trabalho, sem esquecer que sempre temos coisas a aprender e isto talvez seja o melhor presente que podemos ganhar.

 

A Escola é, para mim, um orgulho do que se consegue fazer com responsabilidade e carinho. Ter um coordenador como Guilherme, preocupado com uma das problemáticas mais comuns, como a de profissionalizar a carreira de Light Designer, merece toda a minha admiração e compromisso.

 

Junto ao Gui, aprendi muito da técnica em luz que não se aprende nos livros e que só um mestre consegue passar com generosidade e compromisso. É na prática que você aprende a usar os refletores, a conhecê-los, a transformá-los na dramaturgia da luz. Mas, também, é preciso ler, estudar, pesquisar, aprimorar o olhar e sempre questionar se aquilo é tudo mesmo o que você pode fazer ou se existe algo ainda a ser desvendado.

 

Em outubro, vou conhecer profissionais de diferentes países latino-americanos, em Madri, no Centro de Tecnologias Del Espetáculo, e espero que seja para mim uma experiência única, assim como os conhecimentos que trarei para nossa Escola.  

 

Agora, pouco a pouco, estou descobrindo a minha própria estética dentro da luz. Aquela que, espero um dia, leve não só o meu nome, mas sim um pouco de mim, e da pessoa que eu sou.