Programas de Espetáculos Raros e Históricos Iniciam um Acervo do Gênero

Publicado em: 23/07/2010

O jornalista Mário Garrone deixou uma mensagem no blog de Ivam Cabral (http://terrasdecabral.zip.net), diretor artístico da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, dia 12 de julho, que dizia o seguinte: “Aproveitando este seu espaço, queria saber se você tem interesse nos programas de teatro que eu tenho em casa desde a década de 70. Quero me desfazer deles na minha estante para dar lugar a mais livros. Como você está envolvido com a nova escola de teatro, pensei que talvez houvesse interesse. Caso você não queira a doação, sabe de alguém que pode querer? Entre em contato comigo. Espero sua resposta. Um abraço”.

 

Após o primeiro contato, os dois passaram a conversar e, dias depois, Cabral recebeu centenas de programas de peças teatrais, shows, musicais, óperas e espetáculos de dança. “Fiquei impressionado com a qualidade do material. São espetáculos que fizeram a história cultural do Brasil. Garrone não é um espectador comum. Ele é uma pessoa com uma bagagem teatral singular”, afirma.

Formado em jornalismo e autor do livro “O Homem Infeliz” (Editora Imago), Garrone trabalha atualmente como revisor de textos. Sua paixão pelo teatro começou cedo. “Por conta do regime militar no Brasil, era difícil entrar nos espetáculos sendo menor de 18 anos. Mas mesmo assim, eu sempre dava um jeito”, lembra. Em 1986, ele passou a fazer parte da primeira turma do Círculo de Dramaturgia do Centro de Pesquisa Teatral (CPT), coordenado por Antunes Filho. “Foi uma honra esse contato, pois sempre admirei o trabalho dele. Mas não segui carreira de dramaturgo”.

Após a avaliação do material doado, Cabral resolveu montar um acervo de programas de espetáculos. “Eu e os coordenadores da Escola vamos doar todo o nosso acervo pessoal para a Instituição. Além disso, iremos digitalizar o material e disponibilizar em nosso site para pesquisa”, revela.

 
Algumas raridades que constam na coleção são: “Gota d’Àgua” (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes, com Bibi Ferreira; o show “Pássaro da Manhã” (1977), com Maria Bethânia; “Falso Brilhante” (1976), com Elis Regina; “Feito Gente” (1975), com Wanderléia; “Esperando Godot” (1976), com direção de Antunes Filho; “Pequenos Burgueses” (1977), com direção de Renato Borghi; e “Clitemnestra” (1991), com direção de Antônio Araújo.

“Sempre tive muito carinho pelos programas que eu recebia antes das apresentações. É um registro histórico do efêmero acontecimento teatral. Resolvi doar agora, pois penso que pode ser útil para outras pessoas”, finaliza Garrone.