Professores finlandeses e artistas da SP Escola de Teatro visitam o Jardim Pantanal

Publicado em: 13/10/2016

A Diretoria Executiva e setor de relações internacionais da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco continuam a todo vapor no estabelecimento de parcerias com instituições estrangeiras. No dia 23 de setembro, o diretor executivo da Escola, Ivam Cabral, assinou, na Academia de Teatro de Helsinque, um protocolo de colaboração, que será a base para os projetos artístico-pedagógicos que serão desenvolvidos pelos próximos anos. 
 
Professores finlandeses encontram-se com o líder comunitário Breguesso e outros moradores do Jardim Pantanal
 
Na última terça-feira (11), um grupo professores – formado por Sanna Ryynänen, professora de Pedagogia Social da Universidade do Leste da Finlândia; Eero-Tapio Vuori, Saana Lavaste e Minna Harjuniemi, professores de Direção na Academia de Teatro de Helsinque – conheceu o Jardim Pantanal, bairro da zona leste de São Paulo. A visita foi guiada por Rodolfo García Vázquez, coordenador do Curso Regular de Direção na SP Escola de Teatro, e Marcio Aquiles, coordenador de Relações Internacionais.
 
As instituições estudam a criação de um projeto de ensino de teatro tanto no Jardim Pantanal, como no subúrbio de Helsinque, na Finlândia. O intercâmbio facilitaria a troca de conhecimentos e experiências de vida entre professores e estudantes das três universidades e moradores desses lugares.
 
O projeto é inspirado pela experiência que Vázquez e Cabral tiveram ao montar uma sede de sua trupe, Os Satyros, no Jardim Pantanal. O espaço funcionou durante dois anos nessa região periférica da cidade, oferecendo cursos profissionalizantes gratuitos aos moradores do local. 
 
Antigo Espaço dos Satyros no Jardim Pantanal.
 
A comitiva organizada pela SP Escola de Teatro foi recebida pelo líder comunitário Breguesso, um dos responsáveis pela implantação do Espaço dos Satyros no bairro. Ele contou aos visitantes como funcionava a iniciativa dos artistas, seu impacto na vida dos moradores e como eles gostariam de ter um novo projeto parecido na região.
 
Em seguida, os professores conheceram a antiga sede dos Satyros na comunidade, que, atualmente, funciona como um depósito de materiais de construção, e foram levados a um terreiro de Candomblé, onde também funcionava uma loja com artigos da religião. O passeio terminou com a visita à casa da jovem Bianca, que participou dos cursos ministrados pela trupe no Jardim Pantanal quando ainda era criança. 
 
Rodolfo García Vázquez e Breguesso contam a Saana Lavaste como funcionava o Espaço dos Satyros
 
Ela contou como foi seu contato com o teatro para Sanna Ryynänen, em uma conversa que emocionou a finlandesa. “Foi muito impactante ouvir de uma jovem menina como a arte afetou sua vida, e como o teatro inaugurou um novo universo de imaginação em sua mente. É incrível como ela mudou sua maneira de olhar para o mundo e para a vida. Eu tive uma nova dimensão para discutir o que é político no teatro e seu engajamento social”, afirma.
 
A professora Saana Lavaste, que se impressionou com o pedido dos próprios moradores do Jardim Pantanal para que a Escola criasse um novo projeto lá, gostaria que seus estudantes tivessem o contato com a diversidade. “Na Finlândia, temos uma cultura muito homogênea. Eu adoraria ampliar a visão dos nossos estudantes da classe média branca finlandesa. Gostaria de ver como a arte pode unir diferentes tipos de pessoas e ajudar a criar esse diálogo além das fronteiras de nacionalidade, classe, linguagem…”, comenta.
 
Acadêmicos finlandeses encontram a jovem Bianca, que participou do projeto dos Satyros
 
Já o artista Eero-Tapio Vuori, que se encantou com a loja de artigos de Candomblé, gostaria que seus estudantes e os aprendizes brasileiros estudassem as tradições ritualísticas e espirituais brasileiras e finlandesas. “Poderíamos pesquisar técnicas e métodos ancestrais que estamos quase perdendo, mas que podem ser muito úteis para reconectar o homem à natureza e a tudo que há no universo, o que é visível e invisível”, explica.
 
Diante das contradições entre o centro e a periferia de São Paulo, os pensadores das artes cênicas retornaram à sede Roosevelt da SP Escola de Teatro com muitas ideias que, certamente, devem se desdobrar em projetos futuros.
 

 




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