Primeiro o Teatro, Depois os Bonecos

Publicado em: 08/09/2010

 

A utilização da marionete como recurso expressivo se desenvolve a partir de princípios que originam novos e inusitados resultados, exemplo disso, foi o resultado do trabalho realizado pelos aprendizes no Curso de Difusão Cultural “Teatro de Animação: Confecção, Direção e Dramaturgia”, ministrado por Luiz André Cherubini, na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
 
O curso terminou com um grande sarau de teatro de bonecos, em uma apresentação dos trabalhos elaborados pelos aprendizes. A variedade foi tamanha que, durante os espetáculos, surgiram inúmeras variações do teatro de bonecos’, entre elas o teatro de brinquedos, a manipulação direta, fantoche, teatro de objetos e até ventríloquos. Estes, por sua vez, contrariaram quem imagina que teatro de animação atende apenas ao teatro infantil.
 
Luiz André Cherubini , fundador e diretor do Grupo Sobrevento, uma das companhias teatrais brasileiras de maior renome internacional, é especialista em teatro de animação. Com conhecimento de diferentes técnicas e manifestações culturais do mundo todo ele se apresentou em mais de 150 cidades do Brasil e também em países como na Espanha, Irlanda, Escócia, Irã, Angola, Colômbia, Chile e Argentina. No Brasil, organiza e dirige festivais, como SESI Bonecos e Rio Cena Contemporânea. Foi professor de teatro de animação da ECA/USP e ministrou cursos na Universidad Catolicá Blas Canas, Universidad Finisterrae e Muso Del Titere,  três instituições chilenas, além de oficinas no Brasil e em outros países.
 
Aliando prática e teoria, o curso desenvolveu estudos voltados para recursos do Teatro de Animação, a partir de diferentes técnicas, com o objetivo de realizar todas as etapas da criação de um espetáculo de animação, da dramaturgia à manipulação, passando por confecção e encenação.
 
Nessa jornada, Cherubini se propôs a enfrentar os problemas que mais parecem dificultar o avanço do teatro de animação: o não entendimento do teatro de bonecos como arte teatral. “Durante a oficina, apresentamos o teatro de bonecos como uma arte maior, grande e que apresenta uma riqueza e diversidade que proporciona novos caminhos estéticos. Discutimos teoria, dramaturgia, confecção, manipulação, várias técnicas do teatro de bonecos e também, fizemos contato outros artistas do campo de teatro de bonecos de São Paulo e do exterior”, afirmou o formador.
 
O curso trabalhou fundamentos teóricos e práticos da animação e noções de história, da diversidade de fenômenos teatrais por todo o mundo – desde a origem do Teatro –, de direção e dramaturgia, de interpretação e manipulação, bem como de experimentos básicos de confecção de bonecos e palcos e da montagem de um espetáculo de animação. “Muitas vezes os cursos oferecidos só ensinam técnicas de confecção e princípios muito básicos do teatro de boneco, sem discutir as possibilidades e formas teatrais do teatro de bonecos”, revelou Cherubini.
 
Adalberto Lima, aprendiz do Teatro de Bonecos, considerou esta uma oportunidade única. ”É encantador ver as possibilidades de criação no teatro de boneco e entender as suas várias formas. Para construir a apresentação, escolhemos os fantoches e fizemos nossa própria dramaturgia. Foi maravilhoso ver o desenvolvimento do nosso grupo e a variedade daquilo que aprendemos”, afirmou.
 
Para Gustavo Guimarães, aprendiz do curso, a oficina foi uma forma de contato com as artes plásticas. “Meus bonecos não tinham uma beleza estética perfeita, pois nunca havia trabalhado nessa área, mas eu me senti livre para criar. Gostei muito da possibilidade de frequentar as aulas do Luis, uma pessoa excepcional e ótima referência no teatro de bonecos”, contou.
 
E não foram só os aprendizes que gostaram do curso. O mestre Cherubini também saiu feliz com o resultado e disse que há uma consciência na pedagogia da SP Escola de Teatro, pois ela é uma escola onde artistas formam artistas. “Essa chave é o segredo de fazer um ensino de responsabilidade. Uma visão no ensino do teatro de boneco provocadora e uma ótima forma de difundir essa arte e transmitir o que aprendemos em tantos anos de carreira”, finalizou.
 
Para saber mais sobre o Grupo Sobrevento, acesse: http://www.sobrevento.com.br/

 

Fotos: Adalberto Lima e Renata Forato