Poetas de Vidro

Publicado em: 27/08/2010

 

 

Em monólogos costurados a partir da obra de cinco poetas do Ipiranga, a companhia de teatro 127 Fundos uniu espaço e palavra para compor um caleidoscópio poético de memórias inusitadas com uma intervenção cênica batizada de “Poetas de Vidro”, baseada em poemas de Edner Morelli, Norival Leme, Ricardo Albuquerque, Rudinei Borges e Welton de Sousa.
 
A 127 Fundos surgiu no primeiro semestre de 2010, a convite de Rudinei Borges, escritor paraense e aprendiz do Curso de Direção da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. O objetivo era unir jovens artistas e formar um núcleo de pesquisa teatral para experimentar as possibilidades de construção coletiva de dramaturgia e da intervenção cênica em espaços urbanos.
 
Ao diretor Rudinei Borges, juntaram-se Marcus G. Rosa, diretor e dramaturgo e Dias Filho, ator e dramaturgo, ambos, aprendizes do Curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro. Foi nesse momento  que a 127 Fundos decidiu montar “Poetas de Vidro”, com  direção de Rudinei Borges, assistência de direção de Marcus. G. Rosa e elenco formado por Dias Filho, Bruna Lima, Fábio Gonzales, Francesca Cricelli e Rosana Keully.

 

Os primeiros encontros aconteceram em junho de 2010, na sede da SP Escola de Teatro, mas logo a companhia passou a realizar ensaios e a integrar os projetos do Centro Cultural Casa de Barro, uma associação formada em março de 2009 por artistas de diversas áreas de atuação, com o interesse comum de ampliar o acesso à cultura e participar do desenvolvimento social e educacional de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco.

Para Rudinei Borges, estudar direção teatral na SP Escola de Teatro foi um passo imprescindível para o seu aprendizado, assim como, a sua participação em encenações populares na periferia de São Paulo e no interior do Pará, onde nasceu. “A análise atenta do universo teatral e a convivência com outros artistas são marcas da Escola e foram relevantes para o surgimento da companhia e para o meu trabalho como diretor e dramaturgo”, afirma.
“O curso de dramaturgia, pela excelente grade de profissionais, tem ‘afinado’ meu olhar como artista e fornecido suporte crítico e analítico às propostas de arte em geral, tanto do meu grupo quanto externas. Os ensinamentos dos mestres e mestras dissolvem ‘crendices’ e incertezas quanto à qualidade – ou total ausência dela –  do que nós mesmos produzimos. Coloca em dúvida aquilo que acreditamos ser ‘o melhor’  e nos incentiva à pesquisa e produção contínuas no intento de descobertas de linguagens que dêem conta do que produzimos”, explica Dias Filho.

“Poetas de Vidro” ocupa toda a estrutura física do Centro Cultural Casa de Barro. As cenas compõem o itinerário que vai da porta de entrada, passando pela sala de ensaios, pelo quintal e até o porão. Os poemas selecionados aparecem em monólogos desenhados a partir de silêncios, murmúrios, devaneios e gritos. O desespero sôfrego dos textos que narram a labuta existencial do ser humano é confrontado com outros monólogos em que a serenidade e a saudade furtam a cena.
 
Durante a intervenção, uma mulher é guiada diante da escuridão do lugar e carrega consigo uma lamparina. “Trata-se da visita aos inusitados meandros da memória, onde as fotografias amareladas se misturam às tralhas, livros velhos e computadores desligados. O ponto alto do itinerário é a visita ao porão da casa. Ali o público se depara com um personagem que mescla humanidade e animalização, sonho e angústia”, explica Rudinei Borges.

 

 

Serviço
“Poetas de Vidro”
Datas: 04/09, 11/09 e 25/09
Horário: 19h
Local: Casa de Barro
Rua:Antonio Tavares, 152, Aclimação
Tel: (11) 2338.7000
 
*Dia 18/09 a apresentação será no Sesc Ipiranga. Confira a programação aqui