Papo de Teatro com Sergio Mello

Publicado em: 08/11/2010

 

Sergio Mello é poeta e dramaturgo. 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Após assistir a uma montagem de “À Margem da Vida”, de Tennessee Williams, há mais de dez anos.

 

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Uma comédia adolescente; excursão de escola. Prefiro esquecer.

 

 

Qual foi a última montagem que você viu?

“A Forma das Coisas”, de Neil Labute.

 

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“Rumo a Cardiff”, de Eugene O’Neill.

 

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

Acho um exagero dizer que um espetáculo pode mudar a vida de alguém. O contrário, sim.

 

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Um incentivador: Mário Bortolotto.

 

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Sim, por conta de uma crise de pânico.

 

 

Teatro ou cinema? Por quê?

Os dois, e separadamente.

 

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

Queria ter assistido, quieto num canto, às filmagens de “Tio Vânia”, em Nova York, de Louis Malle. Pelo clima que levou a aquele resultado magnífico.

 

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E Por quê?

Sim, vários. Destaco “Num dia Comum”, de John Kolvenbach, um drama familiar que quase me fez chorar.

 

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais gosta? E estrangeiro? Explique.

Brasileiro: Mário Bortolotto. Estrangeiro: Sam Shepard. Ambos pela aridez poética e bons diálogos.

 

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Não vejo peças pela companhia e sim pelo dramaturgo ou tema encenado.

 

 

Existe um grupo ou companhia de teatro que  você acompanhe todos os trabalhos?

Não.

 

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Todos, menos musical.

 

 

Qual lugar da plateia você costuma sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já sentou na plateia?
Sento-me em qualquer lugar. A qualidade do lugar depende do comportamento de quem está ao lado.

 

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

Pior: Ruth Escobar, Sala Miriam Muniz; melhor: Sesc Anchieta.

 

 

Já assistiu a alguma peça documentada em vídeo? O que acha do formato?

Não, prefiro ver no palco.

 

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

Existem as duas coisas. Juntas, inclusive.

 

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Sean Penn fazendo um texto meu num teatro de poucos lugares em Nova York. Já que é pra sonhar…

 

 

Cite um cenário  surpreendente.

“Rumo a Cardiff”.

 

 

Cite uma iluminação  surpreendente.

Não reparo muito.

 

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Paulo de Tharso em “Música Para Ninar Dinossauros”.

 

 

O que não é teatro?

Comédia stand-up.

 

 

Que texto você foi ler depois de ter assistido a sua encenação?

“Blackbird”, do escocês David Harrower.

 

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Nem no teatro nem na arte como um todo. Uma amiga me disse que foi ver uma peça e um dos atores abriu a bolsa dela e derramou vinho dentro. E eu pergunto: pra quê?

 

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Bons atores, um bom texto e uma cadeira.

 

 

O teatro é uma ação política? Por quê?

Não, embora a cada dia esteja mais convencido de que teatro não sobrevive sem política.

 

 

Quando a estética se destaca mais do que o texto e os atores?

Quando texto e atores não têm muito o que dizer.

 

 

Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?

“Avenida Dropsie”, direção de Felipe Hirsch. Parecia que eu estava olhando para um aquário.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Qualquer uma do Tchecov.

 

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Soledad Yunge, Sam Shepard, James Gandolfini.

 

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

A Harold Pinter: Por que tão cedo?

 

 

O teatro está vivo?

Sim, claro.