Papo de Teatro com Rubens Rewald

Publicado em: 27/08/2012

Rubens Rewald é cineasta


Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Difícil dizer. Na mesma época em que surgiu pela literatura, cinema, música. Quando você sente que não quer apenas assistir, mas fazer…

Lembra da primeira peça a que assistiu?
Eu ia muito assistir a peças infantis e me lembro de verPluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, e de ficar encantado. Mas acho que a primeira peça adulta que vi e que me marcou foi “Macunaíma”, do Antunes Filho, aos 14 anos. Fiquei chapado com toda aquela movimentação, energia. Também por essa época vi “Bent” e fiquei emocionado.

Um espetáculo que mudou a sua vida?
“Cacilda!”, do Oficina. A liberdade total de criação!

Um espetáculo que mudou o seu mode de ver teatro foi…
“Nowhere Man”, de Gerald Thomas, pela questão sensorial posta em jogo, imagens, sons e sentidos desfilando em cena.

Você teve algum padrinho no teatro?
Emilio Di Biasi, que me ensinou o prazer da repetição.

Já saiu no meio de um espetáculo?
Nunca. Acredito até o fim.

Teatro ou cinema?
Ambos criam uma dialética maravilhosa. Não há superioridade.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
O Livro de Jó”. Queria ter participado da criação da dramaturgia. Maravilhosa.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Não me lembro. Talvez não…

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?
Nelson Rodrigues e Jorge Andrade, pela maneira peculiar com que cada um capturou sua classe social, suas personagens, em um mundo em transição. Dos estrangeiros, Beckett e Harold Pinter, pela constante experimentação formal, que acaba ressoando no conteúdo dramático.

Qual companhia brasileira você mais admira?
Admiro três: Oficina. Galpão e Teatro da Vertigem.

Existe um artista ou grupo de teatro que você acompanhe todos os trabalhos?
Não sou superfiel a nada e nem a ninguém, mas tento acompanhar todos que me interessam: Latão, Vertigem, Cia. Dos Atores, Oficina e outras.

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Drama.

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Gosto de sentar bem à frente do palco. Busco a imersão.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
 
Sim. Existem peças bem ruins e, geralmente, o encenador se equivocou, mas não só ele…

Cite uma Iluminação surpreendente.
Cibele Forjaz em “A Travessia da Calunga Grande”.

Cite um cenário surpreendente.

“O Império das Meias Verdades”.

Cite um ator que surpreendeu as suas expectativas
Luiz Damasceno.

O que não é teatro?
Claro que tudo pode ser representação, simulacro. Assim, tudo seria teatro, mas não. Apesar do caráter efêmero e fake da vida, o teatro é só o tempo de uma sessão. O resto é vida…

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Sim. Todos os pensamentos e estratégias são bem-vindos.


Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Como sempre existiu: num palco, com atores de um lado e plateia do outro. Esse espaço milenar do teatro é importante e será mantido.

Em sua biblioteca, não podem faltar quais peças de teatro?
“Toda Nudez Será Castigada”, “Esperando Godot”, “Hamlet”, “Homecoming”.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
José Celso, Luís Alberto de Abreu e Marco Nanini.

Qual o papel da sua vida?
Ainda não foi escrito…

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Para Shakespeare: “Onde você buscaria inspiração para seus textos hoje? Nas guerras? Nos palácios? Na cidade? Nos jornais?”.

O teatro está vivo?
Como sempre.