Papo de Teatro com Rogério Blat

Publicado em: 11/07/2011

Rogério Blat é autor e diretor

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Foi cultivado em família. 


Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Do José Vasconcelos, um conhecido humorista dos anos 60. Deveria ter uns 3 anos de idade e lembro até hoje que havia um efeito especial: uma locomotiva vindo pra cima do público. Fiquei encantado com aquele mistério que acontecia no palco. 

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“A Viagem”, dirigido por Celso Nunes e produzido pela Ruth Escobar. 


Um espetáculo que mudou a sua vida.

Equus, com o meu irmão (Ricardo Blat). 


Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Meu irmão. 

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Já sim, por ter um ataque de riso. 

 

Teatro ou cinema? Por quê? 

Os dois. São linguagens que me interessam estudar cada vez mais. 

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

Nenhum. 

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Já sim. Geralmente por mudança de elenco, amigos que substituem outros. Ah, e também minhas peças, é claro. 

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique. 

Dias Gomes, pela estrutura dramática de suas obras. Estrangeiro é Brecht. Ele deslocou o ponto de vista dos atores e da platéia. Estrangeiro é só um? Adoro o Beckett – chutou o pau da barraca, é o autor mais moderno de todos os tempos. 

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

A ONG Palco Social, que tenho junto com o Ernesto Piccolo, onde fazemos as maiores loucuras, sem dinheiro e com um elenco de 60 atores iniciantes que se renova anualmente. E mais 60 crianças da turma infantil. 

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Não. 

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Experimental. 

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro? 

Gosto de sentar no fundo, para observar a reação do público. O pior foi num musical horrível em Nova York, em que sentei numa poltrona atrás de uma coluna. 

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou? 

Eu trabalho em qualquer espaço. O pior é a localização. No Rio, é o Teatro Gonzaguinha, na Praça Onze, e, em São Paulo, no Cultura Artística do Itaim, que, durante a temporada de uma peça de minha auroria, ninguém achava o endereço e não podia colocar banner na entrada principal do prédio, só na rua dos fundos. 

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Existe texto ruim, atores ruins e encenadores equivocados.  Às vezes uma coisa ou outra; outras vezes tudo junto. Eu mesmo já escrevi um ou dois textos porcarias. 

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Não tenho “espetáculo dos sonhos”, só espetáculos que consigo realizar. 

 

Cite um cenário surpreendente.

O cérebro humano 

 

Cite uma iluminação surpreendente.

A que vem do olho do ator. 

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Brad Pitt no filme “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”. 

 

O que não é teatro?

Comédias stand up.  

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Sim, sendo arte de verdade. 

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

O mesmo do passado e do presente – reflexão sobre o comportamento humano. 

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

“O Rapto das Cebolinhas” e “Na Solidão dos Campos de Algodão”. 

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Ernesto Piccolo, Ricardo Blat e Cristina Pereira.  Os autores são aqueles anteriores. 


Qual o papel da sua vida?

A4 onde imprimo os meus textos.  


Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Para os três: Tem teatro ai do outro lado pra gente trabalhar? 


O teatro está vivo?

Enquanto existir gente o teatro será necessário.