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Papo de Teatro com Renata Zhaneta

Publicado em: 15/11/2010

Renata Zhaneta é  atriz, preparadora corporal, diretora e professora de interpretação.
 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

 

Assim que ingressei no meu primeiro grupo em Santos, em 1974, sob a direção de Bellarmino Franco.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Não foi a primeira, mas foi a que me fez começar nesse grupo. “A Máquina do Tempo”, de Bellarmino Franco. Vi a peça, adorei, fiz o teste e entrei. Completamente apaixonada.

 

Qual foi a última montagem que você viu?

“A Aurora da Minha Vida”, de Naum  Alves de Souza, com direção de Bárbara Bruno. Em cartaz no momento.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, de Bosco Brasil, com direção de Ariela Goldman.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“Meu Tio Iauaretê”, de Guimarães Rosa, com direção de Roberto Lage.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Não.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

“Bella Ciao”, de Luís Alberto de Abreu, com direção de Roberto Vignati.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Os que eu dirijo. Gosto de acompanhar e fazer manutenção.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.

Vários.  Gosto muito da nossa dramaturgia. Sempre monto textos brasileiros em aulas e formaturas nas escolas.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Muitas. Em particular os grupos paulistas, que formam o movimento de teatro de grupo; é um celeiro de grandes artistas.

 

Existe um grupo ou companhia de teatro que  você acompanhe todos os trabalhos?

Cia. Estável de Teatro.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Para mim o importante não é o gênero e sim a excelência  do trabalho.

 

Qual lugar da plateia você costuma sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Não tenho preferências neste sentido.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

O melhor: Sesc Anchieta.  O pior: quadra de esportes numa escola de periferia.

 

Já assistiu a alguma peça documentada em vídeo? O que acha do formato?

Já assisti e não gostei.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

Existe peça ruim e encenador que se equivoca.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Não sei onde e como, mas tenho sonhos de trabalhar com muita gente. Nós temos diretores e atores fantásticos no Brasil.

 

Cite um cenário  surpreendente.

O Cenário de J.C. Serroni para “Clarão nas Estrelas”.

 

Cite uma iluminação  surpreendente.

A luz de Lúcia Chedieck para “Os Crimes de Preto Amaral”.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Ele sempre me surpreende, porque é bom demais: Walter Breda.

 

O que não é teatro?

O que é feito só para ganhar dinheiro.

 

Que texto você foi ler depois de ter assistido a sua encenação?

Não me lembro de ter acontecido isso.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Como diz muito bem um colega meu da Escola Livre de Teatro – Edgard Castro – “Tudo Não É Qualquer Coisa”.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Fortalecer e manter vivo o  “encontro”, a criação artística.

 

O teatro é uma ação política? Por quê?

Claro. Tudo é uma ação política. Ou então você está fora do mundo.

 

Quando a estética se destaca mais do que o texto e os atores?

Quando o diretor não privilegia o texto e os atores na realização do espetáculo.

 

Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?

“Vestido de Noiva”, do TAPA. Lindo!

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Gosto de ter tudo o que posso.  Mas Shakespeare  é muito especial para mim.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Diretor: Antunes Filho. Autor: Plínio Marcos. Ator: Umberto Magnani. Atriz: Cleyde Yáconis.

 

Qual o papel da sua vida?

O que estou fazendo no momento. Agora, por exemplo: Pagu, essa grande mulher!

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

Para eles todos: por que é que vocês não viveram duzentos anos?

 

O teatro está vivo?

Sempre! Vivo e de cabeça erguida!