Papo de Teatro com Nando Prado

Publicado em: 11/10/2010

Nando Prado é cantor e ator, nascido em São Paulo no ano de 1979.

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Minha mãe me levava desde criança, mas a paixão mesmo e a vontade de trabalhar ocorreu quando vi “Rent”. 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
 “Procura-se um Tenor”, com Juca de Oliveira.

 

Qual foi a última montagem que você viu?
“Os 39 Degraus”.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro?
“O Que Diz Moleiro”, direção de Aderbal Freire Filho. De longe, a melhor peça a que já assisti!

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Rent”, sem dúvida.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Jorge Takla.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Sim, pois era de muito mau gosto e havia até falta de respeito para com o público. Não parava de pensar que se ali houvesse alguém que entrava pela primeira vez em um teatro, nunca mais voltaria, achando que “aquilo” era teatro.

 

Teatro ou cinema? Por quê?
São linguagens diferentes, difícil comparar…

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Na época, “Os Miseráveis” e “Rent”. Hoje, não mais…

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Assisti a “Rent” 15 vezes! Foi o espetáculo que me motivou a estar nesse ramo até hoje.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?
Dinis Machado, autor de “O Que Diz Moleiro”, e Daniel MacIvor, autor de  “In on it”.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?
La Mínima e Grupo Tapa.

 

Existe um grupo ou companhia de teatro que você acompanhe todos os trabalhos?
Não consigo, por estar quase sempre em cartaz.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?
É claro que adoro musical, mas quando artistas de circo estão envolvidos, como é o caso do La Mínima e dos Parlapatões, aí eu fico extasiado!

 

Qual lugar da plateia você costuma sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Prefiro no centro da plateia, pois quando um diretor “pinta um quadro”, é este o seu ponto de vista! Uma vez assisti a um espetáculo do último balcão do Credicard Hall, lá em cima. Outra vez, no Tom Brasil, vi um em que tive que me sentar de lado e conviver com garçons passando na minha frente o tempo todo e abrindo latinhas… Não sei qual foi pior.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?
Sou um privilegiado nesse sentido, pois só trabalhei no TBC, Cultura Artística, Teatro Abril (por 7 anos).

 

Já assistiu a alguma peça documentada em vídeo? O que acha do formato?
A tendência é o espetáculo perder muito, sempre. Não me lembro de ter visto uma que tenha ficado muito boa.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existem os dois casos.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Um musical brasileiro na Broadway, sobre um sonho bom, com a galera daqui. Chega de associar o Brasil à violência. Nós nos vendemos assim e é assim que eles nos enxergam. Depois a gente reclama…

 

Cite um cenário surpreendente.
“Os Miseráveis”.

 

Cite uma iluminação surpreendente.
“O Rei e Eu”, de Jorge Takla, com luz de Ney Bonfante.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Orã Figueiredo.

 

O que não é teatro?
Tudo é teatro. Na vida todos estão representando a todo instante, exceto quando estão meditando. O teatro que conhecemos nada mais é do que o teatro dentro do teatro!

 

Que texto você foi ler depois de ter assistido a sua encenação?
“A Alma Imoral”.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Acho que não, nem na arte em geral. O “tudo” vai de “É o Tchan” até uma proposta em que os atores cheirem cocaína ou deem um tiro de verdade em cena, só para vender mais ingressos. Pode parecer absurdo, mas acredito que hoje em dia, com o nível de apelação para aparecer, isso não seja totalmente descartado. Podem até lotar o teatro, mas não me venham dizer que é arte!

 

 Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Agregar-se à tecnologia. Quando o cinema e a TV chegaram, diziam que o teatro iria acabar, mas não acabou. Hoje, mesmo com a chegada dos livros eletrônicos, o futuro do livro está garantido. Nada será substituído. A prova disso é que, atualmente, em plena época digital, vemos a volta do vinil, vendendo cada vez mais.

 

O teatro é uma ação política? Por quê?
A cultura de maneira geral é uma ação política. Porque mostra às pessoas o que, muitas vezes, elas não querem ou são impedidas de enxergar.

 

Quando a estética se destaca mais do que o texto e os atores?
Quando o intuito é simplesmente chocar e não se tem talento para fazer isso de outra forma. Das vezes em que vi um seio exposto em cena, por exemplo, em 98% dos casos, não havia a menor razão de isso acontecer. É mais fácil citar um exemplo contrário: “A Alma Imoral”.

 

Qual encenação lhe vem à memória agora? Alguma cena específica?
Se preciso me inspirar, lembro de Zé Carlos Machado e Guilherme Santana em algumas das muitas peças do Grupo Tapa.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Para dizer a verdade faltam muitas, pois não tenho o hábito de ler teatro. Leio muito sobre outros assuntos. Livros de Ekchart Tolle e Jeffrey Archer não faltam na minha estante!

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Um só é injustiça… por isso citarei os primeiros que me vêm à mente:
Fred Ranson (diretor);  Jonathan Larson (autor);  Guilherme Santana (ator) e Clarice Niskier (atriz).

 

Qual o papel da sua vida?
Dr. Jekyll

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Para Jonathan Larson (autor de “Rent”): Por que morrer dois dias antes da estreia?

 

O teatro está vivo?

Está e sempre estará. O musical no Brasil mais do que nunca!