Papo de Teatro com Nadja Turenkko

Publicado em: 17/10/2011

Nadja Turenkko é atriz, diretora e professora

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro? 

Aos 13 anos, lendo o livro da coleção “Jovens do Mundo Todo” que se chama “Um Jovem Ator”, do I. Vassilienko. Foi quando decidi que queria experimentar esta aventura.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi? 

”O Rapto das Cebolinhas”, foi infantil, quente e alegre…

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro. 

“Le Petit Dictateur”, primeiro espetáculo de Mímica Corporal Dramática que assisti com a Companhia Theatre de L’Ange Fou, em Paris (1990), em cuja linguagem mergulhei desde então e da qual passei a ser membro permanente. 

 

Um espetáculo que mudou a sua vida. 

“O Estranho Familiar”, projeto do André Guerreiro Lopes e direção do André Guerreiro Lopes e da Djin Sganzerla, último espetáculo de que participei, que me trouxe de volta para este teatro de imagens do qual estava afastada desde 2007.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem? 

Não. O teatro sempre foi uma escalada coletiva, árdua, prazerosa, libertária e sem padrinhos.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê? 

Sim, “Miss Banana”, o pior musical que já assisti, com atores despreparados para o estilo de revista musical que se propuseram a encenar.

 

Teatro ou cinema? Por quê? 

Ambos! Porque assim podemos viajar na tridimensionalidade e na luz!

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê? 

Uma montagem de “O Sonho” encenada pelo Gabriel Villela na Bahia, porque era absolutamente imagética e eu me sentia com as ferramentas necessárias para dar corpo e fala a estas metáforas lindamente propostas por ele (fui preparadora corporal do projeto).

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê? 

Sim, para sentir diferentemente as boas sensações.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.

Nelson Rodrigues e Wiliam Shakespeare, porque são universais e atemporais, morais e imorais, visionários e loucos e sempre surpreendem.

 

Qual companhia brasileira você mais admira? 

Gosto muito dos espetáculos do Antunes Filho que são marcados por um olhar de direção que busca sempre alguma coisa, achando ou não…

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos? 

Tento ver muitos espetáculos com diferentes argumentos, companhias e atores, não tenho um olhar muito direcionado como expectadora não.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia? 

O teatro com boas resoluções cênicas e dramatúrgicas, bons atores e boas discussões… rsrsrsrsr

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro? 

No meio, porque dá pra ver bem os atores e acompanhar o quadro geral da encenação, nunca me sentei especialmente mal…

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou? 

Já me apresentei como atriz e também dirigi um espetáculo para ser encenado no Teatro da Paz, em Belém, cuja beleza arquitetônica e qualidades acústicas são espetaculares e emocionam muito. O pior que me lembro foi durante uma turnê em Santa Catarina, em pleno inverno não havia aquecimento no camarim e a sala era gelada, nosso figurino era de verão e sofremos muito antes e durante a apresentação.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Existe peça que não se comunica com o público, como pode ocorrer em qualquer gênero artístico.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos? 

Com muitos atores e atrizes famintos de fazer o espetáculo proposto por um diretor apaixonado, com produção decente, profissional e carinhosa, com muitas viagens previstas… hummmm!

 

Cite um cenário surpreendente. 

De Maurício Cardoso em “Árvore que Chora” um espetáculo de dança contemporânea que fizemos juntos em Belém do Pará, a convite da Ana Unger. Pela primeira vez vi uma platéia inteira fazer “Ohhhhhhhhh” durante cinco apresentações diante da mesma cena…

 

Cite uma iluminação surpreendente. 

De Irma Vidal para o espetáculo que dirigi, “Quando a Cotovia Voa… Uma Fábula Libertária”. Ela conseguiu deixar dois personagens que ficavam lado a lado com “temperaturas” diferentes, quebrando a unidade de tempo, foi genial!

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas. 

Gero Camilo.

 

O que não é teatro? 

Tudo aquilo que se afasta da presença do ator, da sua espiritual materialidade…

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro? 

Sempre.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro? 

O teatro é artesanal e a tecnologia sempre será bem vinda quando servir ao propósito da linguagem teatral com ênfase na presença tridimensional do ator. A humanidade sempre desejará aquilo que reafirma a sua condição e este é o caso do teatro. A tecnologia não pode substituir esta poética transcendental.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Eu tenho de tudo em minha biblioteca. Acho importante ler e reler as tragédias, que são uma condensação perfeita dos dramas humanos.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Steven Wasson, Shakespeare, André Guerreiro Lopes; Maria Marighella, Djin Sganzerla e Rita Assemany.

 

Qual o papel da sua vida? 

Nunca tive muito estas fantasias do “papel” definitivo ou “o mais importante”, tenho alguma identificação e curiosidade com Antígona.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Étienne Decroux (pai da mímica moderna): Como o senhor conseguiu erigir uma arte tão material e espiritual ao mesmo tempo?

 

O teatro está vivo? 

Nem todo teatro está vivo, infelizmente…