Papo de Teatro com Luiz André Cherubini

Publicado em: 07/11/2011

Luiz André Cherubini é diretor
 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Acho que por conta de umas representações de que eu participava, ainda muito criança, feitas em meu edifício e em minha escola. Talvez tenha sido o que me fez gostar de ver teatro, de ler teatro, de estudar teatro.  O deflagrador de minha dedicação ao teatro, porém, foi mesmo a leitura de “Esperando Godot”, de Beckett, e de “O Rinoceronte” e outras peças de Ionesco.

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Acho que por conta de umas representações de que eu participava, ainda muito criança, feitas em meu edifício e em minha escola. Talvez tenha sido o que me fez gostar de ver teatro, de ler teatro, de estudar teatro.  O deflagrador de minha dedicação ao teatro, porém, foi mesmo a leitura de “Esperando Godot”, de Beckett, e de “O Rinoceronte” e outras peças de Ionesco.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
Lembro-me muito vagamente das primeiras peças a que assisti, menino. Mas foram diferentes montagens de Luís de Lima, de quem fui aluno, que assisti aos 15 anos que realmente me marcaram.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
Houve muitos, felizmente. “Espetáculo Ionesco”, de Luís de Lima; “Catastrophé”, de Rubens Rusche, e “Désirs Parade”, de Philippe Genty, foram só três deles.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Désirs Parade”, de Philippe Genty, que me levou a uma oficina de cinco semanas com esse diretor, no Peru, em 1988, e que consolidou minha dedicação ao Teatro de Animação.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Magda Modesto, pesquisadora do Teatro de Animação, foi uma madrinha. E tive a oportunidade de conviver com Flávio Rangel e  ter grandes diretores como mestres, como Philippe Genty e João Bethencourt, entre outros.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Nunca faço isso, mas já fiz, porque percebi má fé dos artistas.

 

Teatro ou cinema? Por quê?
Teatro mais. Cinema menos. Gosto do encontro como parte da obra.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
“Cyrano de Bergerac”, de Flávio Rangel, pela união e afinidade do elenco, e “Catastrophé”, pela qualidade da montagem, inteligência do diretor Rubens Rusche e talento da atriz Maria Alice Vergueiro.
 

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Já. Porque os espetáculos me encantaram e quis voltar.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
Nelson Rodrigues e Samuel Beckett. Não acredito, porém, que dramaturgia seja somente literatura e admiro muitos encenadores dramaturgos.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?
Cia. De Teatro Autônomo, Grupo Galpão, Cia. dos Atores, Cia. PeQuod, entre muitas.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Cia. PeQuod, Jefferson Miranda… Vejo tudo o que posso de todas as companhias que admiro e de todos os amigos a quem quero bem, que são muitos.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Teatro.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Entre a terceira e quinta filas, no centro, porque quero ver bem, aproveitar a perspectiva e porque não tenho intenção de sair. Já assisti a muitas óperas do cantinho do paraíso (o último balcão), quando era estudante e não tinha um tostão.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?
Já trabalhei em grandes teatros de quatro continentes, teatros muito antigos, teatros muito novos, mas uma experiência particularmente bonita foram as apresentações em praças públicas de todo o País, para públicos de até 40 mil pessoas, no Festival Sesi Bonecos. Em 25 anos, nunca vi um espaço que impedisse um encontro bonito com o público (e já vi teatros inundados, com um único refletor, infestados de ratos, morcegos e baratas, com buracos no palco…)

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Teatro é encontro, não é matemática (não deve ser). Não se pode analisar um espetáculo por um certo modelo. Espetáculos felizes dependem de momentos felizes, de situações felizes.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Já vivi momentos de intensa comunicação com o público, de intensa emoção (e emoção é fazer pensar, não só rir e chorar) e é isto o que persigo. Um espetáculo bem sucedido pode dar-se em qualquer lugar, com diferentes gentes, de diferentes jeitos. Não creio em um espetáculo de sonhos, como não creio em um mundo de sonhos ou em uma mulher de sonhos. É preciso aprender a estar feliz com o que se tem e com o que se é, se se quer ser feliz.

 

Cite um cenário surpreendente.
O cenário de André Cortez e Daniela Thomas para “Submundo” e o de Telumi Helen e J. C. Serroni para “Cadê o meu Herói?”, espetáculos do Sobrevento, meu Grupo – o primeiro pela provocação aos rumos do espetáculo; o segundo, pela precisão, funcionalidade e engenhosidade.

 

Cite uma iluminação surpreendente.
A de “Submundo” e “Beckett”, de Renato Machado, para o Sobrevento, meu Grupo – a primeira pela contribuição à condução do espetáculo; a segunda pela difícil simplicidade.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Maria Alice Vergueiro me surpreendeu por renovar meu olhar sobre a interpretação teatral; Nora Prado me surpreendeu por sua entrega, generosidade e profundidade; Luís de Lima me surpreendeu por sua precisão e rigor… a lista de surpresas é muito grande, para quem quer se surpreender.

 

O que não é teatro?
O cinismo. Cinismo não faz teatro, mesmo a arte mais destruidora quer construir algo.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Tudo é válido, mas não para todos.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Acompanhá-la, opor-se a ela ou ignorá-la. Mas não acredito que esta seja uma “era da tecnologia”, apesar da tecnologia.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Toda a obra de Beckett e muitas tragédias gregas.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Para citar um só de cada, entre os vivos: diretor, Rubens Rusche; autor,  Jefferson Miranda; ator, Ricardo Palma; atriz, Nora Prado; grupo, o Sobrevento, por seus integrantes; pensador teatral, Carlos Laredo, da Cia. Teatral La Casa Incierta, da Espanha; homem de teatro, Philippe Genty.

 

Qual o papel da sua vida?
O de pai de meus filhos e o de criador de encontros teatrais.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. (Por favor, explicite para quem é a pergunta)
Para Beckett, Miguel Vellinho ou qualquer artista que eu admire e a quem eu queira bem: quer uma outra cerveja?

 

O teatro está vivo?
Sempre que for encontro.