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Papo de Teatro com Lavínia Pannunzio

Publicado em: 18/07/2011

Lavínia Pannunzio é atriz, dramaturga e diretora.

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

 

Através das peças encenadas na casa da minha avó! Dramas, musicais de amor e morte, que ela nos ensinava e ensaiava em tardes ociosas na infância…

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Putz…  Me lembro da 1ª temporada de peças que assisti, no Rio de Janeiro, aos 13 anos… “Um Homem é um Homem”,  de Bertold Brecht, com Rubens Corrêa; “Bar, Doce Bar”, com Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro; “Rasga Coração”,  com Raul Cortez! Foi Inesquecível, eletrizante, definitivo!

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro. 

Vários espetáculos mudaram e mudam meu modo de ver o teatro. Aqui vão dois emblemáticos no começo da minha vida teatral em São Paulo:  “Escorial”,  direção de Cristiane Paoli Quito; “Eletra Com Creta, do Gerald Thomas.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“Era Uma Vez um Rio”, minha primeira direção.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não. Mas tive muitos amores…

 
Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Ultimamente tenho saido de vários. Porque os considero enorme perda de tempo.
 
 
Teatro ou cinema? Por quê?
Teatro e cinema. Teatro sou eu, minha casa, meu amor, minha vida, meu pensamento, meus afetos. Cinema porque me deleito em assistir e apreciar as ousadias de linguagem dos caras e os trabalhos sensacionais dos atores.
 
 
Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê? 
“Os solitários” e outros da Sutil. Porque gostava muito daquela companhia, de como pensavam e agiam estilisticamente. E do papo deles. 
“Anátema”, do Roberto Alvim, “Mary Stuart”, direção do Gabriel Villela, “Otro”,  do Enrique Diaz.  Com exceção do Enrique Diaz, trabalhei com todos os demais. 
 
 
Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? Por quê?
Sim. “Eletra Com Creta”, por gozo estético puro! Fiquei louca pelo Gerald, Daniela (Thomas), pelo papo deles e por aqueles atores.
 
 
Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? Wagner Salazar, Eduardo Ruiz, Jô Bilac, Plínio Marcos, Nelson Rodrigues – preciso montar esse cara! –, Pedro Brício, Mário Bortolotto, Marcos Barbosa, Domingos de Oliveira…
 
 
E estrangeiro? Edward Albee, Alan Ayckbourn, Arne Ligre, David Harrower, David Greig, Bernard-Marie Koltès…Porque cada um desses caras encontrou sua poética, seu estilo, repensou seu tempo, mamou despudoradamente nas melhores fontes da dramaturgia anterior a eles. São fundadores de uma língua própria, nos colocam em estado de emergência e ativam nossa performance, nos colocando em cena com a mesma urgência com a qual eles escrevem. São fundamentais!
 
 
Qual companhia brasileira você mais admira? 
Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos? Não.
 
 
Qual gênero teatral você mais aprecia? Aquele em que os artistas são autorais. Seja em que área for, dos que são donos de suas próprias obras.
 
 
Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê?No meio e mais ao fundo.
 Pra ter distância e envolvimento suficientes com a obra. E eventualmente poder ir embora.
 
 
Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro? Qualquer lugar em uma peça ruim.
 
 
Fale sobre o melhor  – Os Sescs Consolação, Belenzinho e Paulista!!  
E o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou? Quase todos os teatros do interior do Brasil e algumas salas em São Paulo são muito ruins, porque não te permitem realizar seu trabalho com a excelência com a qual foi concebido. E isso é demolidor para qualquer trabalho.
 
 
Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Ambos.
 
 
Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos? Com grana, onde houver quem o devore, e com quem eu puder compartilhar meus pensamentos, desejos e humores.
 
 
Cite um cenário surpreendente. “Temporada de Gripe”,   da Daniela Thomas, “ Veludinho”,  meu e de Márcio Vinícius, “A Noite de Cabelos Como Flores, do Marco Lima. 
 
 
Cite uma iluminação surpreendente. Beto Bruel – quase sempre; Marcio Aurelio – “Torquato Tasso”;  “Chorávamos Terra Ontem à Noite”, minha luz, executada por Márcio Vinícius; Aline Santini – sempre! Bob Wilson…
 
 
Cite um ator que surpreendeu suas expectativas Ivens Tilman, Rodrigo Bolzan, Ando Camargo, Eduardo Ruiz, Gustavo Sol, Marco Nanini, Gabriel Braga Nunes, Enrique Diaz, Chico Diaz, Pedro Guilherme, Roney Facchini, Luís Miranda, Fábio Ock…
 
 
A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro? Pelo amor de Deus, não!
 
 
Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro? Acho que a vida do teatro depende de nossa inteligência, de nosso sentido de estar presente em qualquer tempo e de nossa imensa capacidade de dialogar com as coisas no momento em que elas acontecem. Suas repercussões.