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Papo de Teatro com Jair Aguiar

Publicado em: 06/06/2011

Jair Aguiar é artista

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Quando ensaiei o choro na hora das palmadas que o médico deu em minha bundinha.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Lembro da primeira que participei de uma seleção: escondido de minha mãe, de short e descalço, no TBC, aos 8 anos. Me deixaram participar, mas realmente não havia condições.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“Hair”.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“Macunaíma”.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Tenho uma referência artística: pela dedicação, pela integridade, pela força com que dirige o seu Ballet Stagium: Márika Gidali, amor incondicional.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Ninguém merece assistir a espetáculo ruim! Malfeito!

 

Teatro ou cinema? Por quê?

Teatro sempre! Nada substitui a respiração, o suor, a emoção ao vivo.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

“O Balcão”, texto de Jean Genet com encenação de Victor Garcia.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

“Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu”, texto de Soffredini e direção de Gabriel Villela – porque todos merecem assistir a um bom espetáculo, bem feito, mais de uma vez.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.

Carlos Alberto Soffredini, pela brasilidade, pela linguagem; minha identificação com o estilo de Soffredini é muito grande. Manuel Puig (o experimentalismo me atrai), Fernando Arrabal (um provocador de carteirinha, gosto do estilo).

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

O Grupo Tapa segue sempre, mesmo quando não é o “agraciado” pelas verbas públicas. Se puder dizer que é um grupo, o CPT tem um trabalho que envolve.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Antunes Filho.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Aprecio o teatro bem feito

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Adoro sentar no fundo, centro da fileira (tem-se uma visão geral do palco e é mais fácil para escapulir), odeio sentar na primeira fileira: certa vez fui assistir a um amigo no Centro Cultural São Paulo (monólogo), sentei na primeira fileira e ele quase não falou mais comigo (eu dormi).

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

Todos os espaços são teatrais e quanto menos tradicional, mais estimula a criação. Dos espaços cênicos convencionais, o Teatro Municipal de Campina Grande surpreende pelo conforto e qualidade técnica. Certa vez estive em São Roque, onde o único espaço era um cinema, muito mal equipado.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Mesmo um mau texto na mão de um bom encenador, se transforma num bom espetáculo. Mesmo um bom encenador, tem o seu dia de equívoco.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Seria uma apresentação pública no Santuário de Asclépio, em Epidauro, com texto escrito exclusivamente por Shakespeare, tendo no elenco Paulo Autran, Cacilda Becker, Zé Celso, Laura Cardoso, Sergio Cardoso.

 

Cite um cenário surpreendente.

Banquinho colorido do espetáculo “Quadrilha”, do Ballet Stagium, com cenários e figurinos do Márcio Tadeu.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

Maneco Quinderé em “Inveja dos Anjos”, Grupo Armazém.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Regina Duarte.

 

O que não é teatro?

Nada é o que pretende ser quando pretenciosamente se faz por querer ser.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Tudo é valido na vida e o teatro é vida.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Bem, a tecnologia não poderá se sobrepor à experiência de 26 séculos.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Os bons textos. Na Cia. das Artes temos uma pesquisa com textos nacionais, estes não faltam mesmo em minha estante.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Antunes Filho, Carlos Alberto Soffredini, Antônio Netto (meu irmão), Laura Cardoso.

 

Qual o papel da sua vida?

O operário

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Eis o meu defeito: frente aos meus mestres me calo. Só escuto.

 

O teatro está vivo?

Sempre!

 

 

*Foto: Antonio Netto