Papo de Teatro com Fábio Cadôr

Publicado em: 30/01/2012

Fábio Cadôr é ator

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Desde pequeno. Gostava de imitar a TV, usar fantasias. Na escola também fazia apresentações, comecei a fazer teatro aos 11 anos.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Era um conto de fadas, não lembro qual. Tinha uma bruxa que derretia no final e adorei isso! 

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

Muitos! A cada dia mudamos nosso olhar sobre as coisas, em busca do crescimento em todos aspectos, pessoal, espiritual, profissional, artístico…

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, direção de Vladmir Capella e produção de Cíntia Abravanel.  Fazia revezamento com os atores, todos os personagens masculinos. Ficamos 4 anos em cartaz, fiz grandes amigos, aprendi muito.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem

Meu primeiro professor, Edson Rodrigues, no Projeto Carlitos, da Secretaria de Cultura de Santos. Me incentivou muito a estudar e aprender de tudo que possa ser usado em cena. Dei sorte em encontrar pessoas que colaboram de alguma forma, até hoje! Sempre que posso, também tento ser “padrinho” de alguém. 

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Já tive muita vontade de sair de alguns… Não sai em respeito ao elenco. Não gostaria que acontecesse comigo.

 

Teatro ou cinema? Por quê?

São artes diferentes. Amo teatro e pretendo fazer cinema. Tem uma frase que sempre lembro “Teatro é a arte do ator; Cinema a arte do diretor”.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

“O que eu entendi do que o Tom Zé disse”, do Núcleo Experimental de Sesi 2004, direção de Isabel Setti. Fiz parte do grupo de estudo e de todo processo, mas tive que sair por motivos pessoais. Não gosto de não terminar as coisas.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Fora as peças de amigos ou quando vou substituir alguém e tem que assistir pra aprender… rsrs. Vi “Aldeotas” três vezes e “A Alma Imoral” duas vezes. Mesmo gostando muito do espetáculo, não gosto de ver muitas vezes para não perder a graça da surpresa, prefiro ficar com a primeira impressão. 

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.  

Sem contar os clássicos Nelson Rodrigues e Shakespeare, gosto da visceralidade de Caio Fernando Abreu. Tenho preferência pelo contemporâneo. Dos estrangeiros, Tennessee Williams.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Grupo Tapa e Parlapatões.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos? 

Não diria todos, mas assisti bastante coisa do Tapa, algumas do diretor Zé Henrique de Paula e do dramaturgo/diretor Vladimir Capella.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Não tenho preferência, gosto de transitar, exercer a versatilidade. O importante é tocar a plateia.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Geralmente no centro, nem longe nem perto. Gosto de ver o todo. O pior foi nas extremidades, na frente. Deu até torcicolo.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

O melhor sem dúvida foi o extinto Teatro Imprensa. Não só pela infraestrutura,  mas por toda equipe, técnica e de produção. O piores sempre no interior do Estado. Ou estão em péssimo estado de conservação ou nem são teatros, muitas vezes em clubes, auditórios adaptados. Fazer em escola também é complicado, a maioria não tem espaço apropriado.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

Mais fácil ser equivoco do encenador, até em escolher o texto!  Já vi texto fraco muito bem encenado. E tenho medo quando o autor é também o diretor, poucos acertam.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Num grande teatro lotado com amigos em cena e na plateia. Uma tragicomédia musical com circo, dança…

 

Cite um cenário surpreendente.

Lembro do “Avenida Dropsie”, da Daniela Thomas, e recentemente o do “Pterodátilos”. Gosto dos trabalhos do J. C. Serroni  também.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

Em teatro, Fran Barros e Cizo de Souza. Em shows, Cesar Pivetti.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Rodrigo Santoro surpreende por não ser só um rostinho bonito e Wagner Moura por não ser um rostinho bonito. Brincadeiras à parte,  considero os dois ótimos atores dessa geração.

 

O que não é teatro?

Stand Up Comedy. Não tem dramaturgia nem precisa ser ator pra fazer. Nada contra nem a favor, mas tem gente que acha que isso é teatro.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Tudo o que for para somar é bem vindo. 

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Saber usar a tecnologia a seu favor, sem esquecer que o teatro é feito de ator. Muita coisa legal tem sido feita, mas quando os efeitos especiais são mais importantes na produção do que o próprio elenco, certamente camuflam artistas ruins.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

As que ainda não li! Tenho um pouco de tudo. 

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira. 

Já gostava como espectador, depois de trabalhar junto com ele e sua equipe, virei fã do diretor Zé Henrique de Paula. Como autor admiro o Vladimir Capella, por ser um dos poucos a fazer infanto-juvenil com tanta qualidade. E ator, admiro alguns, como Gero Camilo, Caco Ciocler, Cacá Carvalho…

 

Qual o papel da sua vida?

Acho que não existe o “papel da minha vida”. O que aconteceria depois dele? Prefiro estar sempre em movimento, a cada papel um novo desafio, evoluindo, me superando.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Brecht, acha que nos dias de hoje ainda podemos fazer a politização e educação do povo brasileiro através do teatro social ou tudo virou só entretenimento? 

 

O teatro está vivo?

Sobrevive pelas mãos dos artistas. Acho que está cada vez mais difícil trabalhar com teatro como única subsistência, sem depender de leis e verbas do governo ou patrocínios de empresas. O artista acaba trabalhando com outras coisas como TV, publicidade e eventos pra ganhar dinheiro e poder fazer teatro.