Papo de Teatro com Esther Antunes

Publicado em: 20/06/2011

Esther Antunes é atriz, diretora e professora de teatro

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Surgiu na infância. Frequentando teatro, indo ao teatro, e aí, já estava no meio.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

“Pluft,  o Fantasminha”. Foi no Tablado, no Rio de Janeiro. Acho que era a primeira apresentação da peça e foi maravilhosa. Foi o que me marcou. A partir deste espetáculo queria estar fazendo alguma coisa.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“Paraíso Zona Norte”.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

“Eletra Com Creta”.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Tive: o ator e diretor Hélio Cícero e o produtor Walter Malta. 

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?

Já saí sim. Porque a mim não dizia nada, um espetáculo do Zé Celso, “As Boas”.

 

Teatro ou cinema? Por quê?

Os dois. O cinema faz parte da minha vida, porque desde pequena, aos 6 anos de idade, minha família me levava ao cinema. O cinema, para mim, fala muito. Até mais do que o teatro. O teatro faz parte da minha vida, do meu corpo, do cheiro… as loucuras e as contradições do teatro. 

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?

Gostaria de ter participado do musical “Hair”, que teve lá nos anos 80. Porque é lindo. Sempre gostei muito do filme “Hair”, e quando vi a montagem do musical eu fiquei maravilhada, queria muito estar lá no meio.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?

Muitas. Porque tinha uma pessoa no espetáculo, e eu fiz também o acompanhamento do espetáculo por quase um ano. 

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.

Nelson Rodrigues e o estrangeiro que mais gosto é Federico Garcia Lorca, porque ambos trabalham com o universo do obscuro. Nelson, porque tem esse enfrentamento das contradições da família, da sociedade. Ele vai ao centro da questão e quebra tudo. Lorca vai quase no mesmo caminho.  Já montei quase todas as peças de Garcia Lorca e gosto da forma que ele escreve, da forma que descreve para que a gente possa dirigir, o que é completamente diferente do Nelson, que escreve dirigindo. O Lorca não, já te deixa mais à vontade.  

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Os Satyros.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Atualmente, não. 

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Eu gosto do dramático. 

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

No meio. Eu não gosto muito dessa coisa intimista. Não gosto de espetáculos que tenham intimidade com a platéia que coloca o espectador em apuros. Nunca sentei num lugar ruim. Sempre tive o privilégio de sentar em lugares bons. Quando não tive ingresso, sentei na escada.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

Os melhores espaços em que já trabalhei foram o Sesi da Avenida Paulista e o Sesc da Doutor Vila Nova. Os piores foram os espaços dos CEUs, quando eles inauguraram estavam muito ruins, não tinham estrutura nenhuma.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Existe peça ruim, sim. 

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

O espetáculo dos meus sonhos seria em toda rede do Sesc, que eu acho que consigo atingir o público que eu gosto. O Sesc tem um público popular, os espaços são maravilhosos. Então, o espetáculo seria “Sonho de uma Noite de Verão”, que eu já montei uma vez, mas seria um espetáculo mais ousado. Gostaria de montar com Diogo Granato, um grande bailarino e ator, e Raquel Tamaio. São dois atores que foram do meu grupo “Papo na Língua” durante 10 anos. Gostaria de montar com esses dois atores que entendem a minha linguagem, minha insatisfação.

 

Cite um cenário surpreendente.

Cenário surpreendente feito de sucatas.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

É uma iluminação natural, sem muito efeito. Acho que essas são as iluminações surpreendentes. A luz natural te faz imaginar mais.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

O Robson Catalunha, do Satyros. 

 

O que não é teatro?

Os cultos evangélicos, aquilo não é teatro. O espetáculo que quer dar lição de moral não é teatro.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Sim, cabe.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Permanecer na essência. O ator mesmo com toda a tecnologia vai sobreviver.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

As de Shakespeare e Nelson, e a poesia de Fernando Pessoa.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Um diretor que eu admiro atualmente é o Rodolfo García Vázquez, com quem estou trabalhando e gosto muito da forma que ele vê o teatro. Ele me surpreende com sua expansão de ideias. O ator que eu admiro é o  Hélio Cícero.

 

Qual o papel da sua vida?

É ser educadora de teatro e diretora.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

Qual seria hoje a opinião de Shakespeare sobre os amores diferenciados, uma vez que ele falou tanto disso em “Romeu e Julieta”.

 

O teatro está vivo?

Está vivo e com a luz.

 

 

Fotos: Rodrigo Meneghello