Papo de Teatro com Eloísa Vitz

Publicado em: 30/05/2011

Eloísa Vitz é atriz e diretora

 

 

Como surgiu seu amor pelo teatro?

Aos 5 anos, quando meu pai me levou para assistir ao espetáculo “A Bela Adormecida”. Fiquei encantada!

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

“A Bela Adormecida”. Foi uma experiência inesquecível. A Bruxa era muito mais bonita que a Bela e eu fiquei pensando o por quê. Depois fiquei fascinada com as pessoas em cena. Foi assustador e maravilhoso ao mesmo tempo.

 

Um espetáculo que mudou seu modo de ver o teatro.

“Beckett in White – a Comédia”, que participei dentro de um banheiro em um casarão na Paulista.

 

Um espetáculo que mudou sua vida.

“O Homem com a Flor na Boca”, com Cacá Carvalho.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não é bem um padrinho, mas tive três pessoas muito importantes: Eduardo Tolentino de Araújo, Lola Tolentino e Luiz Valcazaras.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por que?

Sim. Porque para mim é insuportável assistir a uma peça sem qualidade.

 

Qual dramaturgo você mais admira? E estrangeiro, explique.

Nelson Rodrigues pela complexidade, humanidade e construção dramaturgica. Estrangeiro, Calderón de La Barca, pela poesia.

 

Qual Cia. Brasileira você mais admira?

Grupo Tapa e Grupo Galpão pela excelência artística.

 

Existe um artista ou Grupo de teatro que você acompanhe todos os trabalhos?

Como estou praticamente o ano inteiro em cartaz acabo perdendo muitos espetáculos que gostaria de ver. Acompanho alguns diretores como Antunes Filho, Zé Henrique de Paula, Valcazaras e atores que sãoimperdíveis como Sandra Corvelone, Cacá Carvalho, Zé Carlos Machado, Clara Carvalho e outros. Existem atores e diretores muito talentosos no cenário paulista de teatro.

 

Qual gênero você mais aprecia?

Comédia.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar e por que? Qual o pior lugar em que você já sentou?

Adoro ir ao teatro e não tenho preferência de lugar. Quando a peça é boa, sento na escada, no chão, não importa, qualquer lugar é poltrona.

 

Fale sobre a melhor e a pior peça teatral que você já foi ou trabalhou.

A melhor peça que já assisti foi em Nova York,  “The Seagull” (“A Gaivota”), Tchecov, com a Royal Shakespeare Company e a atriz Kristin Scott-Thomas. O pior, me esqueci… Era tão ruim que me esqueci.

 

Existe peça ruim ou o encenador que se equivocou?

O mundo é incrível porque existe de tudo.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos? 

Na verdade posso responder como será: o próximo, com o Grupo Gattu, com certeza.

 

Cite um cenário surpreendente.

“Boca de Ouro”, de Heron Medeiros.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

“Doroteia”, de Milton Saiki.

 

O que não é teatro?

Não me interessa.

 

A ideia de que é tudo é válido na arte, cabe no teatro?

Cabe.

 

Na era da tecnologia, qual o futuro do teatro?

Prevejo um futuro ainda mais brilhante para o teatro.

 

Em sua biblioteca, não pode faltar qual peça de teatro?

Peças boas.

 

Cite um diretor, um autor e uma atriz que você admira.

Diretor: Ariane Mnouchkine; autor: Nelson Rodrigues; e atriz: Daniela Rocha Rosa.

 

Qual o papel da sua vida?

O próximo. Sempre o próximo.

 

Uma pergunta para Willian Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold, Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire?

William, está valendo a meia entrada? Só.

 

O teatro está vivo?

Estava até ontem. Se morreu não fui informada e nem convidada para o enterro.

 

 

Foto: Arte Plural/Divulgação