Papo de Teatro com Darson Ribeiro

Publicado em: 04/07/2011

Darson Ribeiro é  ator, cenógrafo, diretor, produtor teatral

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro? Desde criança quando encenava músicas que minha mãe traduzia para o palco, num sítio chamado Colônia Central onde nasci, no interior do Paraná.

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi? Posso considerar que foi “Tudo Bem no Ano que Vem”, com Tarcísio Meira e Glória Menezes. Esta sentou comigo no fim, no proscênio, e me explicou a necessidade que eu tinha de ingressar um curso superior, estudar teatro propriamente dito.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro. “O Balcão”.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida. “A Falecida”, dirigo pelo  Antunes Filho.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem? Paulo Autran. Mas, foi mais conselheiro que padrinho.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê? Porque era chato. Era na verdade um balé da Bahia, dirigido por Gerald Thomas, e recentemente de “Cinema”, do Felipe Hirsch.

 

Teatro ou cinema? Por quê? Ambos. Mas, com preferência pra teatro, lógico.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê? “A Vida É Cheia de Som e Fúria”, do mesmo Felipe Hirsch, e de “O Avarento”, com Paulo Autran. O primeiro pela estética arrojada do diretor.  O segundo porque sabia e sentia que seria o último do mestre.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê? Sim. Recentemente “A Alma Imoral”, com a ótima Clarice Niskier. É um texto que todo mundo deveria ler mais de uma vez, filosoficamente adaptado por Nilton Bonder para o palco de uma maneira vibrante e de fácil acesso. Mexe com a alma.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira?  E estrangeiro?  Explique. Nelson Rodrigues e Samuel Beckett. O primeiro pela desvalorização familiar de um jeito sempre atual e precário, que atinge as massas. O segundo pela poesia implícita, também atual sempre discutindo o universo humano com maestria.

 

Qual companhia brasileira você mais admira? Armazém.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos? Sim, sempre. Teatro da Vertigem e Armazém, do Paulo de Moraes.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia? Não aprecio gênero, aprecio bom teatro, pode ser comédia, tragédia, drama, stand-up o que for. Desde que bem feito e com algo a dizer.

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Gosto de ficar num lugar em que consiga ver o rosto do ator.

 

Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro? Na frisa da Sala São Paulo (se bem que era música) em que fiquei com torcicolo por assistir o concerto virando o pescoço.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou? O pior foi um Teatro em São Roque apresentando uma peça minha, que tinha barata e ate ratos. Sem água e sem a mínima condição de higiene.

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? Nenhum nem outro. Há sim textos horríveis, como equívocos de encenadores. Mas, se o texto for bom, pelo menos os ouvidos são salvos. É sempre bom ouvir de novo uma obra bem escrita.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos? Não tenho. O dos sonhos sempre será meu próximo. E será sempre comigo. Talvez o que mais se adeque à pergunta é “O Jardim das Cerejeiars”, que sonho em dirigir.

 

Cite um cenário surpreendente. O de Daniela Thomas para “Pterodátilos” e o de Bia Lessa para “Soror Angélica”,  que ajudei a construir no Municipal. Um convento de baixo da terra.

 

Cite uma iluminação surpreendente. A de Beto Bruel no monólogo de Fernanda Montenegro sobre Simone de Beauvoir.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas. Luciano Szafir, quando fez seu primeiro trabalho no teatro comigo.

 

O que não é teatro? Stand-up, algumas peças de teatro-dança que se metem a dizer que é teatro-dança e outras de mímica.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro? Não. Detesto escatologia no teatro. Já saí de peça do Zé Celso por conta disso.

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro? A de sempre, sofrimento pra se ganhar público. E mais ainda agora tentando manter as idéias de jovens diretores e atores que é uma arte solitária – e única.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro? De Beckett, Ibsen, as minhas sempre mexíveis, e de Philip Ridley.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira. Na ordem: Felipe Hirsch e Fernanda Torres.

 

Qual o papel da sua vida? O que faço no momento.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. Para Fernanda Montenegro: por que não usufruir do poder que a a mídia lhe deu para auxiliar e fomentar o teatro e a cultura de modo geral no país, com campanhas, citações em público e até mesmo intervenções em rádios e TVs?

 

O teatro está vivo? Sempre.

 

Foto: Federico Credone