Papo de Teatro com Cristina Pereira

Publicado em: 13/06/2011

Cristina Pereira é atriz

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Na infância, vendo espetáculos em bairros, e na adolescência, através do cinema e da literatura. Eu gostava muito de ler.
 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
Considero a primeira peça “Manhãs de Sol” do Oduvaldo Vianna, no Teatro TAIB.
 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“ O Balcão”, em 1968, “ Cemitério de Automóveis”, na mesma época, “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” e outros dessa época.
 

Um espetáculo que mudou a sua vida.
Mais do que um, mas vou citar “ Jogos na Hora da Sesta”, em 1978
 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Tive mestres: Myriam Muniz, Ademar Guerra.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Nunca sai.

 

Teatro ou cinema? Por quê?
Teatro. Porque é a minha formação, me sinto mais à vontade e mais preparada.
 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Na época, foi “ Hair”, tinha tudo a ver comigo, inclusive o visual. Mias tarde, “ Tio Vânia”, de Tchecov, no papel de Sonia, quando eu era mais nova, claro. Mas realizei um dos meus sonhos “ Dona Rosita”, de Federico Garcia Lorca, autor que amo.
 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
“O inimigo do Povo”, de Ibsen, direção de Domingos de Oliveira, na Casa da Gávea. Nossa produção e excelente espetáculo. Assisti a outros na mesma Casa da Gávea da qual faço parte e sou sócia-fundadora.
 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
Atualmente, dos autores super contemporâneos gosto do Jô Bilac e da Julia Spadaccini e também da Daniela Pereira de Carvalho. Estrangeiro, gosto de Neil LaBute, o autor de “Gorda”. O autor brasileiro do meu coração, claro, é o Flavio Marinho com quem fiz três peças e farei uma quarta. Adoro!

 

Qual companhia brasileira você mais admira?
A Cia. dos Atores, do Rio , Fudidos Privilegiados, também do Rio, Stravaganza, de Porto Alegre, o  Grupo Galpão, claro, de Belo Horizonte, a  Cia. de Teatro Chama Viva, de Tocantins, e vários grupos e companhias do Norte do País, de Brasília. Não dá pra pinçar assim num bate-papo curto, resumido. Preciso consultar Festivais de Teatro dos quais participei, grupos e companhias que conheci quando trabalhei na Funarte como coordenadora de teatro e viajávamos lançando o Prêmio Myriam Muniz. Só isso dá uma entrevista de três páginas. É muita gente e minha memória é ruim, preciso consultar.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Vários. Um deles é o  Chama Viva
 

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Todos.
 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Na ponta de fila no centro ou meio lateral, sempre na ponta. Sou baixa, enxergo mal, já tive síndrome de pânico etc etc. O pior lugar é sempre atrás de alguém muito alto com um penteado também alto. O pior lugar mesmo foi atrás de uma pessoa conhecida que  mexia no cabelo o tempo todo e se espreguiçava.
 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?
Adoro o Sesc Anchieta, na rua Dr. Vilanova, o Theatro São Pedro em Porto Alegre, o Sesc de Nova Iguaçu, O Sesc Rio Casa da Gávea. Aliás o Sesc é imbatível! Já trabalhei em espaços difíceis, mas o teatro também é desafio e tudo fica lindo no final.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
É segredo.

Cite um cenário surpreendente.
O de “A Tartaruga de Darwin”, criado por Leticia Ponzi, jovem cenógrafa, minha filha.

 

Cite uma iluminação surpreendente.
Dani Sanchez para “Pamonha e Panaca”
 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Ricardo Blat, apesar de conhecê-lo há 40 anos.
 

O que não é teatro?
Quando não é de verdade.
 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Nem sempre. Se for bom, bem feito….
 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
É a forma de comunicação mais moderna que existe! Viva! Insubstituível. ( ler uma entrevista do dramaturgo espanhol Juan Mayorga, para “ O Globo” em 2010 sobre isso, é perfeito!)

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Todas do Lorca, do Brecht, do Pinter, do Nelson Rodrigues  e tudo o que pintar e for bom.
 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Vários. Citarei apenas Ademar Guerra, Carlos Augusto Strazzer e Myriam Muniz. Todos já partiram para a pátria espiritual.
 

Qual o papel da sua vida?
Todos os que fiz, estou fazendo agora e todos os que farei.
 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.

Para Nelson: O que acha dos novos dramaturgos?
 

O teatro está vivo?
SEMPRE!
 

Foto: Divulgação | ArtePlural