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Palco SP | Da Cenografia Milenar ao Não-Palco

Publicado em: 18/03/2013

Nô, Kabuki e Bunraku. No Japão, os gêneros teatrais confirmam uma arte praticada com empenho e tradição. Para distinguir cada um deles, basta observar um detalhe. “Você reconhece um estilo pelo palco em que acontece o espetáculo”, disse a figurinista e cenógrafa Kazue Hatano, na última sexta-feira (15), durante o Palco SP | Encontro Internacional sobre o Ensino da Cenografia, realizado na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

A japonesa compartilhou sua experiência e explicou a diferença entre as linguagens. O Teatro Nô combina canto, música, poesia e pantomima. O palco é fabricado com hinoki (cipreste japonês) e o cenário apenas com kagami-ita (pinheiro pintado). No Kabuki, são feitas maquiagens bem elaboradas e só homens podem atuar. No cenário, o hanamichi (caminho florido) permite que se saia do palco principal e transite próximo ao público. E o bunraku (teatro de bonecos), Kazue explicou a dedicação necessária. “Para manipular a figura, o aprendiz começa por um dos pés e se empenha durante dez anos. O próximo passo é o outro pé, mais dez anos, e assim até a cabeça. É preciso tempo e paciência para ser um mestre de Bunraku”, explicou.

 

A cenógrafa e figurinista Kazue Hatano (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Diferentemente dos asiáticos, existem artistas que dialogam com o cenário de uma outra maneira. Na Nigéria, a efemeridade do teatro é levada a sério e as performances procuram investir em figurino, mas não em cenografia. “Não conseguimos atuar em espaços restritos e tampouco com cenografia. Cerca de 90% dos trabalhos realizados são em espaços públicos e durante o dia, o que também dispensa iluminação. O foco é o trabalho do ator e a nossa intenção é levar as pessoas a experimentarem algo tão passageiro e único quanto o próprio teatro”, apontou Osita Okagbue, presidente fundador da Associação de Teatro Africano.

 

Crítica e Cenografia Paisagística

No encerramento do evento, na tarde do sábado (16), o Palco SP foi ocupado  ainda pelo crítico Ian Hebert, editor consultor do anuário Theatre Record, além de revistas teatrais de todo o mundo. O inglês forneceu um panorama geral da crítica teatral no Reino Unido e dicas para se tornar um bom crítico. Com relação ao público, Hebert incentivou a clareza do texto e o perfil do leitor. “Quando você escreve, tem de pensar sempre no conhecimento e informação que seu público possui. Não adianta desfilar palavras difíceis apenas para que o achem inteligente”, afirmou. Ao final, o inglês listou importantes pontos para se tornar um bom profissional: “Não preciso dizer que você deve estudar história, filosofia, música, arte e literatura. Quando estiver assistindo à uma peça, entre com o coração e a cabeça. Considere o que ela quer dizer, como quer dizer e se atingiu o objetivo. Acredito que, se fizer isso, se tornará um bom crítico”, finalizou.

 

O crítico teatral Ian Hebert (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

E, para fechar o ciclo, assumiram a palavra os suecos Sara Erlingsdotter e Claes Peter Hellwig. Ela é diretora artística e de ópera e criou o projeto Meeting Place  – Musica Theatre Landscape, em parceria com a Academia de Artes Dramáticas de Estocolmo (SADA). Ele, professor de Processos Criativos na SADA, dramaturgo e ator. Juntos idealizaram o curso de Mestrado e Performance e investem em happenings performáticos pela cidade. Durante a estada em São Paulo, realizaram oficinas com aprendizes e inscritos. A Praça Roosevelt foi o espaço de interação, os chamados “laboratórios paisagísticos”, em que o artístico contata a paisagem, dialogando com pessoas e transformando o local. Sobre o trabalho, eles se mostraram contentes: “Ficamos felizes com os aprendizes. Eles estavam entusiasmos e muito abertos. A experiência foi gratificante e a prontidão de todos em participar nos impressionou. Obrigada”, disse ela.

 

A diretora Sara e o ator e dramatugo Peter (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Ao final de cinco dias intensos discutindo os caminhos da cenografia no Brasil e no mundo, J. C. Serroni, coordenador dos cursos de Cenografia e Figurino e Técnicas de Palco da Escola, finalizou o encontro agradecendo a todos: “Obrigado a todos que participaram, aprendendo e ensinando. Vamos carregar conosco esse importante intercâmbio cultural, um espaço que a SP Escola de Teatro possibilitou a todos nós. Quem venham os próximos!”, encerrou.

 

Texto: Leandro Nunes

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