Palavra em Cena | Os luxuriosos de Dante

Publicado em: 23/02/2015

Está no ar mais uma edição da série de podcasts Palavra em Cena, produzida pelo dramaturgo e diretor Maurício Paroni de Castro especialmente para o portal da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. 

 

O programa aproxima o público da maior obra em verso da cultura italiana, “A divina comédia”, escrita pelo florentino Dante Alighieri (1265-1321), segundo os pesquisadores, entre 1304 e 1321.

 

É lido, assim, o Canto V de “Inferno” – primeira parte do livro –, em português pelas atrizes Michelle Boesche e Elen Londero, e em italiano por Alvise Camozzi.  foram seduzidos pela leitura da história de Lancelote e Guinevere. 

 

No Vale dos Ventos padecem os espíritos dos luxuriosos. Em vida, foram levados por suas paixões, que os arrastavam como o vento; agora é o vento incessante que os arrasta no inferno. Francesca da Rimini era conhecida pela sua beleza. Seu pai, Guido da Polenta, era o governante da cidade de Ravena e estava em guerra com a família Malatesta, de Rimini. 

 

Quando as famílias negociaram um acordo de paz, Guido concedeu Francesca em casamento para Giovanni Malatesta, filho do Senhor de Rimini. Giovanni, culto, tinha o corpo deformado. Guido sabia que Francesca não concordaria com o casamento, de modo que ele foi realizado por procuração através do irmão mais novo, o belo Paolo Malatesta. Francesca e Paolo não demoraram a se apaixonar. O amor proibido que dali surgiu rendeu ao novo casal a punição divina e o sofrimento eterno.

 

“Junto com a dor está o amor continuado. Isso antecipa o “Sísifo”, de Camus, e quase todas as grandes histórias de amor que surgiram depois. Justamente aquela invenção feita pelo Shakespeare, da personalidade moderna, saindo da Idade Média. E o Dante, ainda dentro da Idade Média, na direção do humanismo, inventa também esse tipo de história. Qualquer pessoa reconhece essa história como sendo sua ou tem até o secreto desejo de ter vivido uma parecida, apesar da punhalada e do sofrimento eterno que o amor pode significar”, comenta Paroni sobre a obra.

 

A apresentação e criação de Paroni lança mão da nossa paradoxal distância e proximidade da nossa vida cotidiana com o assunto enfocado. Nas gravações, participações especiais de aprendizes, formadores e convidados especiais. A locução inicial é de Sylvia Soares.

 

Ouça o programa.

 

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