Paixão pelo Circo Teatro

Publicado em: 26/05/2011

Em 17 de fevereiro de 1943 nascia Vic Militello. A atriz, filha dos artistas circenses Dirce Tangará e Humberto Militello, cresceu no picadeiro em apresentações pelo País. Encantada com o folclore da região nordestina, Vic fundou o Teatro de Cordel, com a proposta de apresentar espetáculos baseados nessa literatura. Entretanto, sem nenhum retorno positivo do público, abriu mão do projeto.

 

O circo teatro, gênero comum e de muito sucesso no Brasil do século XX, abrigou, além de Vic, nomes como Benjamin de Oliveira e Affonso Spinelli. Os artistas da época viajavam muito e encenavam cada dia um texto diferente, ora cômico ora melodramático. Acrobacias, malabarismos e palhaçadas se alternavam às apresentações das peças, o que caracterizava o estilo de atuação.

 

A convite de Raul Barretto, Vic veio compartilhar suas técnicas com os aprendizes. Durante o encontro, ela levou para a sala lembranças marcantes sobre sua experiência no circo e ainda brincou: “Uma criança que cresce em meio a tanta ficção, tanta fantasia, não pode ser normal”.

 

Ao ser perguntada sobre o artista atual que mais se aproxima do estilo circo teatro, a atriz não pensou duas vezes e respondeu: “Hugo Possolo. Ele é um excelente ator”. Possolo foi um dos fundadores do Grupo Parlapatões e, também, coordenador do curso de Direção da SP Escola de Teatro

 

Durante a aula, Vic falou, ainda, sobre o teatro de terror, que surgiu do circo teatro. Nesta época, o terror se valia de monstros caricatos e figuras medonhas. O suspense também proporcionava à plateia o clima pretendido. “Eu lembro que em alguns espetáculos, o público entrava no escuro e alguns atores ficavam escondidos perto das cadeiras e seguravam as pernas das pessoas. Elas tomavam cada susto!”. No mesmo período, a atriz se dedicava ao teatro da meia-noite, que debochava da atuação do teatro de terror.

 

Fora dos palcos, a atriz fez sucesso no cinema com “Deu a Louca no Cangaço” (1969); “Beijo 2348/72” (1990); “Bellini e a Esfinge” (2001); “Xuxa e os Duendes – No Caminho das Fadas” (2002)”; “O Homem do Ano” (2003), entre outros. Na televisão, participou das novelas “Estúpido Cupido” (1976); “Vereda Tropical” (1984); “Olho por Olho” (1988); “Uga Uga” (2000); “Kubanacan” (2003) e “Floribella” (2005), além da minissérie “Primo Basílio” (1988).

 

Com mais de 50 anos de profissão e depois de ter passado pelas áreas do circo/teatro, cinema e televisão, Vic comentou, em sala, que o prazer que tem em transmitir seus conhecimentos veio do pai, que era um idealista: “Ele queria transformar as pessoas em amantes do teatro”.