Os Bastidores do Théâtre du Soleil

Publicado em: 20/10/2011

Juliana Carneiro durante o bate-papo na SP Escola de Teatro (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Às 11h de hoje (20), o pátio da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco foi tomado por aprendizes curiosos e admiradores do trabalho da atriz Juliana Carneiro da Cunha, integrante do grupo francês Théâtre du Soleil há 11 anos.

 

Outro convidado presente foi o sociólogo, consultor, programador e produtor cultural João Carlos Couto, mais conhecido como Janjão. O bate-papo foi mediado por Francisco Medeiros, coordenador do curso de Atuação da SP Escola de Teatro.

 

Chiquinho, como é chamado por todos da Escola, iniciou a conversa dizendo uma palavra que, para ele, define muito bem o que move o trabalho de um ator: inquietação. “Assim como vocês (se referindo aos aprendizes), quando eu e a Juliana começamos a adentrar o universo teatral, também tínhamos o pensamento de mudar o panorama da arte da época. A consciência da não acomodação é o que nos provoca a fazer diferente.”

 

Antes de passar a palavra aos dois convidados da manhã, Chiquinho os elogia: “Impulsos essenciais para a existência de um artista vivo estão condensados nesses dois corpos aqui presentes.” Janjão começa o encontro dizendo que uma das melhores características de um ator é a generosidade. “Todo conhecimento deve ser partilhado. E isso a Juliana tem de sobra.”

 

Na vez da atriz, ela inicia a conversa fazendo menção às primeiras palavras do mediador. “A inquietação se torna uma droga. É uma adrenalina que o corpo passa a sentir e viciar. A não segurança é muito excitante. Concordo plenamente com o Chiquinho.”

 

Ao longo do bate-papo, Juliana conta desde o seu primeiro contato com a companhia, em 1976, quando assistiu à peça “L’Âge d’Or” (“A Era de Ouro”), até os dias de hoje, descrevendo sua rotina de trabalho, ensaios, estudos e falando, ainda, de salário e sua experiência na França.

 

João Carlos Couto participando do bate-papo com Juliana Carneiro (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Conduzida por questões levantas por aprendizes, Juliana comenta, também, sobre os bastidores da companhia. “É tudo improvisado; parece que o autor escreve somente uma frase e te mostra. A próxima fala você não fica sabendo antes.” Além disso, a atriz explica que tudo é feito internamente, desde os materiais cenográficos e figurinos até a comida que é servida aos que lá trabalham.

 

Ao falar de Ariane Mnouchkine, diretora do Théâtre du Soleil, a atriz diz que é uma verdadeira lição de vida e de teatro trabalhar com ela. “A Ariane trabalha com propostas. No começo, ficava esperando que ela me dissesse o que eu deveria fazer. Depois, eu me acostumei e passei a mostrar minhas ideias a partir dos ensaios.”

 

 

Juliana também fala que ela e todos os outros integrantes possuem muito respeito e admiração pela diretora. “Ariane é de tal exigência humana que a gente ‘treme na base’ quando a vê”, brinca. Sobre a inspiração da diretora, a atriz comenta que Ariane sempre busca muito as questões da infância para trabalhar. “Com a multinacionalidade da companhia, a experiência cênica se torna muito rica, pois abarca a infância de diversas culturas.”

 

A conversa se estendeu até chegar à parte jurídica da questão. Janjão exlicou que, na França, o ator trabalha com carteira assinada. “Os profissionais têm uma relação empregatícia com as companhias. Eles são registrados, têm férias, e, no fim da carreira, recebem aposentadoria.”

 

Ao final do bate-papo, entre outras perguntas, o aprendiz de Dramaturgia do Módulo Vermelho Paulinho Rocco questiona como é a dinâmica de ensaios gerais, pois Juliana contou que os espetáculos produzidos pela companhia são, em sua maioria, muito extensos, como, por exemplo, “Les Éphémères”, que tem duração de 7 horas. “A gente faz como pode, fica quantas horas precisar, ensaia um pouco em um dia e o resto no outro. É assim”, finaliza.

 

O Théâtre du Soleil está no Brasil até 23/10, com o espetáculo de quatro horas de duração “Os Náufragos da Louca Esperança”, em cartaz no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

 
 
Texto: Jéssika Lopes

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