Oficina de Escrita na Cidade

Publicado em: 05/10/2012

Lançar um olhar diferente para o turbilhão de cores, emoções, formas e conteúdos que é a capital paulista e, a partir daí, produzir textos. Eis a proposta do curso “Oficina de Escrita na Cidade”, ministrado pelo dramaturgo português Jorge Louraço Figueira, da companhia O Teatrão, de Coimbra, e promovido pelo Departamento de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. As aulas, que seguem até a próxima quarta-feira (10), começaram ontem à noite, na Sede Roosevelt da Instituição.

A oficina faz parte do projeto Palco Iberoamericano: Teatro Contemporâneo e busca apresentar aspectos inovadores, tanto do teatro documental como da ficção dramática dos últimos dez anos, à procura de uma dramaturgia do espectador e de uma poética da ação. Assim, serão abordados experimentos recentes de dramaturgia e performance, ocorridos tanto na Europa como na América Latina, cruzando métodos de improvisação coletiva, a chamada  devising, de grupos do Reino Unido, como os Third Angel e os Forced Entertainment. A atividade pretende, ainda, combinar aspectos narrativos com aspectos dramáticos do texto, tanto na adaptação como na criação de peças originais, bem ao estilo dos dramaturgos e diretores espanhóis Sanchis Sinisterra e Juan Mayorga.

A proposta de um teatro documental foi o que chamou a atenção da pesquisadora Delcianny Garces e Silva na hora de se inscrever no curso. “Como trabalho com pesquisa para a companhia Teatro Documentário, do bairro do Bixiga, fiquei muito empolgada com a ideia de olhar a cidade com outros olhos, de dialogar com a questão do teatro-documentário”, diz ela, que já colocou a mão na massa no primeiro dia de aula. “Produzi um texto sobre a Estação da Luz. Um diálogo entre uma prostituta e um possível cliente”, conta. “Começar um curso já colocando a escrita à prova é muito empolgante”, encerra.

Quem é Jorge Louraço Figueira
Além de professor da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, da cidade do Porto, e crítico de teatro do jornal Público, de Portugal, Jorge Louraço Figueira escreveu “O Espantalho Teso”, “Xmas qd Kiseres” e “Rei Duas Vezes”, entre outras peças e roteiros teatrais. Traduziu “Cidadania”, de Mark Ravenhill; “Senti um Vazio”, de Lucy Kirkwood, e “Onde É Que Esconderam as Respostas”, do Third Angel. Fez Residência Internacional no Royal Court Theatre, em Londres, e o Seminário de Escrita Teatral de J. S. Sinisterra, no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa. No Brasil, publicou “Verás Que Tudo é Verdade”, sobre o grupo Folias, para o qual escreveu a peça de teatro “Cabaré da Santa”, com Reinaldo Maia, e fez a dramaturgia de “Êxodos”.




 
Texto: Majô Levenstein