"O Teatro é um Local do Pensamento"

Publicado em: 15/10/2010

A pertinência do tema ensino no teatro se demonstra, entre outros fatores, pelo crescente número de escolas de teatro, além da grande demanda de alunos nesta área do conhecimento humano, com essa questão em mente, a diretora, pesquisadora e atriz Simoni Boer comandou bate-papo online, na última quinta (14).

 

Simoni é formada em Interpretação Teatral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e possui pós-graduação em Arte Integrativa pela Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. Atualmente, é professora de Interpretação Teatral, Prática do Ensino de Teatro, Produção e Divulgação Teatral e Estética do Espetáculo, na Universidade Anhembi Morumbi, instituição onde coordena o Setor de Estágios do Bacharelado e é membro do Conselho do Curso. Também leciona na Escola Superior de Arte Célia Helena como professora de Interpretação Dramática.

 

Durante a conversa virtual, a pesquisadora apresentou as diversas facetas de trabalho e formação na área das artes dramáticas e destacou a importância do conteúdo teórico, informações e referências no processo desse ensino, além disso, o valor do trabalho em grupo. “Afirmo sempre que um aprendizado admirável no teatro é adquirir a capacidade de trabalhar coletivamente”, explica.

 

“Considero o trabalho em grupo uma possibilidade de formação, mas é importante dizer que é preciso que seja um trabalho com esse interesse”, afirma Simoni. “A atividade precisa sempre estar comprometida com a pedagogia do teatro.”

 

Quando questionada em que medida cada indivíduo de uma turma pode interferir nas suas escolhas em relação ao grupo, Simoni responde que o trabalho de formação deve ser individualizado. “Eu costumo estabelecer padrões muito individualizados no início do curso, ou seja, momento em que a aprendizagem está em cada aluno. Com isso, consigo visualizar a melhor maneira de buscar resultados no grupo”, revela.

 

Para Simoni, todas as funções são importantes no teatro. “Reafirmo sempre o caráter coletivo da criação e o valor de cada criador, além disso, para alguns alunos o teatro não interessa como linguagem ou como experiência estética, mas sim pelo seu valor terapêutico.”

 

Quando cita que em qualquer formação profissional, é preciso passar por uma formação humanística, Simoni responde à dúvida sobre como o teatro pode ser um espelho do seu tempo histórico ou, como pode refletir o real no palco se não conheçe o tempo histórico.

 

Quando a pergunta é sobre o estímulo que desperta mais interesse nos alunos, a pesquisadora revela que esse tema é variável. “Há turmas de alunos onde a discussão temática e teórica mobilizam a criação, em outras, colocar o grupo em movimento é que estimula. O professor precisa estar atento a essas diferenças.”

 

Simoni ainda faz questão de citar aqueles que considera seus importantes mestres como Stanislavski e Brecht, entre outros. “Tive dois cursos maravilhosos com o Márcio Aurélio na Unicamp e lições valiosas dos diretores com os quais trabalhei, principalmente Gianni Ratto, Jandira Martini e Marco Antonio Rodrigues. Na verdade, nossa formação não acaba quando saímos da escola. Não mesmo!”, complementa.

 

Ao final da conversa, Simoni reitera algumas considerações. “Quero ressaltar que o espírito coletivo e a capacidade de jogo são fundamentais. Aprender, olhar com olhos livres e perceber a realidade sob vários pontos de vista também. O teatro é um local do pensamento, da reflexão, do encontro efetivo de humanidades. É por esses pensamentos que balizo minha atividade pedagógica”.