O Rei Ubu

Publicado em: 11/11/2010

Na nebulosa manhã desta quinta-feira (11), dava para ouvir de longe as batucadas ritmadas, o coro e a marcha de aprendizes no pátio da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Caminhando pelos corredores, era preciso ficar atento, pois a possibilidade de trombar com algum ator que corria durante o ensaio era grande.
 

Muita gritaria e música foram trilha sonora dessa manhã na Escola e esse era apenas o ensaio de um dos oito grupos que se apresentam no Experimento, entre os dias 16 e 18 de novembro. O ensaio era para o espetáculo inspirado no texto “Ubu-Rei”, de Alfred Jarry, com uma trupe composta por aprendizes de Humor, Dramaturgia, Direção, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco.
 

Ubu é um pequeno burguês, funcionário a serviço da realeza da Polônia que, sob pressão de sua mulher ambiciosa, decide matar o Rei para ocupar o trono. Porém, é covarde e mau-caráter. Uma vez no trono, Ubu se revela cruel e estúpido.
 

De pequeno burguês, Ubu se tornou um tirano sanguinário, mas não desprovido de um singular grão de razão, proferindo verdades inquietantes que revelam questões sociais delicadas como a fome.  Eis que surge um Czar e a guerra se instaura. Ubu se vê obrigado a lutar contra os russos, o povo e Bougrelas, um jovem que se torna a esperança do povoado e uma sombra para Ubu.
 

“O espetáculo trata da relação de poder das mais diversas formas. Fala de educação, política e religião. Por isso, escolhemos realizá-lo na sala de aula e no pátio da Escola”, explica Paula Moreira, aprendiz de Direção.
 

A freira Carliene Tosta, aprendiz de Iluminação, também foi convidada para participar do elenco a fim de representar a religião no espetáculo. “É um símbolo. Ela vai representar com seu hábito mesmo, mas com muito humor”, comenta Paula.
 

 “Quando percebi já estava dentro. O irônico é que, na cena que participo, eu faço a sagração de um rei. Ato que somente os bispos eram autorizados a fazer”, conta Carliene. “Nunca atuei antes. Estou meio perdida, mas o pessoal do elenco me ajuda bastante”, conclui.
 

Outros três aprendizes da área técnica do grupo foram incorporados ao elenco, Igor Augusto, do curso de Iluminação, e Márcio Mendes e Rodrigo Figueiredo Papa, de Sonoplastia. Eles participam da cena formando um coro que saúda o rei, cantando e tocando instrumentos de percussão.
 

Ubu Rei é constantemente apontado por inúmeros estudiosos como uma espécie de “clássico moderno” do teatro ocidental. O texto se destaca historicamente por apresentar inovações que o teatro de sua época, (final do século XIX, na França), não praticava. Jarry teve enorme influência no teatro ocidental ao longo do século XX. Artistas das décadas seguintes encontram em seu texto uma fonte de influência e inspiração. Ubu Rei antecede propostas e procedimentos cênicos que seriam incorporados décadas depois pelo surrealismo, dadaísmo e pelo Teatro do Absurdo.
 

Ironia, humor, assassinato, traição, vingança e corrupção são freqüentes no enredo desse espetáculo, mas, o desfecho dessa história, só mesmo durante o Experimento.
 

Confira as fotos do ensaio e, logo abaixo, a ficha técnica do grupo:
 

Atores: Bruno Sperança, Pedro Monticelli, Danila Gonçalves, Bárbara Melo, Sérgio Gava, Paula Viana e Vitor Carneiro.
 

Dramaturgos: Emerson Alcalde,Tadeu Botton,Geraldo Neto
 

Diretores: Leonardo Mussi e Paula Moreira
 

Cenógrafos: Jaqueline França, Magali Micheletti e Gabriela Gomes
 

Sonoplastas: Danuza Novaes da Silva, Marcio Renato Mendes e Rodrigo Figueiredo Papa
 

Iluminadores: Fábio Cabral, Igor Oliveira e Carliene Tosta
 

Técnicos de Palco: Francisco Zacarias de Araújo, Paulo Roberto Paixão Dias e Daniel Juliano Fernandes.