O Livro do Mês | “Psicologia das massas e análise do eu”

Publicado em: 24/07/2013

Desde o mês passado, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco traz, mensalmente, uma indicação literária de Maurício Paroni de Castro, diretor e dramaturgo, que também coordena o espaço de discussão informal que ganhou o nome de Chá e Cadernos, também mensal, realizado sempre na última sexta-feira do mês, na Sede Roosevelt da Instituição. A entrada é gratuita e aberta ao público.

Assim, o Livro do Mês de julho, segundo dica de Paroni, é “Psicologia das massas e análise do eu” (L&PM Pocket, 176 págs., R$ 18). O diretor escreve sobre a obra:

“Neste momento de crise, que precede um vácuo político inevitável à mudança histórica que vivemos,  ter uma ideia básica do pensamento das massas é importantíssimo. A leitura deste volume é um excelente começo, para além das ideologias sociais que cada leitor possa cultivar.

Conhecido como um de seus textos sociais, este ensaio debate as ideias de Gustave Le Bon (1841-1931) e usa conceitos como identificação, regressão, idealização, libido e recalque na investigação.

Nascido em 1856, na região da Morávia (hoje, parte da República Checa), Freud estudou medicina na Universidade de Viena e se demonstrava especialmente intrigado com a neurofisiologia. Já graduado, trabalhou no hospital da mesma cidade, quando conheceu Jean-Martin Charcot (1825-93) e o uso da hipnose.

Escreve o psicanalista e professor Edson Sousa: ‘Freud se detém no funcionamento e nos mecanismos inconscientes que fazem uma multidão obedecer e idolatrar a um líder’. Segundo Sousa, o livro ‘traz elementos que nos permitem abordar fenômenos sociais como o racismo, a intolerância religiosa e o fanatismo político’.

Para se ter uma ideia da leitura:

‘Psicologia das massas, publicado em 1921, foi gestado lentamente e não deixa de ser um esforço louvável de reflexão diante da barbárie que representou para o mundo, e especialmente para a Europa, a destruição provocada pela Primeira Grande Guerra. Freud sentira na própria pele seus efeitos. Três dos seus filhos estavam no front: Martin, Oliver e Ernst. Seu genro Max, assim como alguns colegas e muitos pacientes, também. Era uma época de incertezas e de muitas perguntas sobre o que levara a humanidade a tal grau de barbárie, de destruição e de violência. Escrevera na época: ‘Parece-nos como se nunca antes um acontecimento tivesse destruído tantos bens comuns preciosos da humanidade, confundido tantos dos mais lúcidos intelectos, degradado tão cabalmente os mais elevados’. Em algumas passagens de Psicologia das massas, Freud faz menção à guerra e escolhe o Exército como um dos fenômenos de massa que analisa. O outro coletivo que lhe aponta um horizonte de reflexão se refere aos grupos religiosos, entre os quais toma particularmente como objeto de estudo a Igreja Católica.’

(…)

‘Psicologia das massas nos abre alguns caminhos de reflexão. Freud vinha concebendo esse texto há algum tempo, recolhendo notas, lendo as obras disponíveis sobre o tema. Já havia desenvolvido anos antes uma série de estudos sobre as razões da posição masoquista do ser humano bem como sobre o conceito de pulsão (ou impulso, conforme se preferiu na presente tradução) de morte, crucial no entendimento de sua metapsicologia. Este último foi amplamente desenvolvido em seu texto Além do princípio do prazer (1920). Nesse mesmo ano, em uma viagem de férias aos Alpes, preparava as primeiras notas de Psicologia das massas e parecia muito cauteloso e sem pressa em finalizar seu estudo. Do alto das montanhas e em meio às inúmeras anotações que vinha recolhendo, escreve a seu biógrafo oficial, Ernst Jones: Trouxe comigo o material para a Psicologia das massas e análise do eu, mas minha cabeça até agora se recusa obstinadamente a se interessar por esses problemas profundos.

fonte: prefácio de Edson Souza, de ‘Psicologia das Massas e análise do eu’, Edição L&PM, e Folha de S. Paulo

Em breve, a obra estará disponível na biblioteca da Escola. Boa leitura e ótimas discussões!”