O Auto de Abreu

Publicado em: 21/11/2011

Em Julho de 2004 estreava “O Auto do Circo”, de Luís Alberto de Abreu, no Teatro Flávio Império, em São Paulo. A história do circo no Brasil, contada a partir de lembranças do velho palhaço Coscorão, é o mote do espetáculo que volta a ser apresentado no Arsenal da Esperança, em curta temporada.
 
A peça abriu o Festival de Teatro de Curitiba (2006), participou da Mostra Brasileira de Comédia de São José do Rio Preto (2007), fez temporada no Centro Cultural São Paulo, no Teatro João Caetano, no Teatro Arthur Azevedo e no Arsenal da Esperança.
 
A história é narrada pelo palhaço Coscorão, descendente de família circense vinda da Europa, que, em uma cadeira de rodas, relembra as histórias que sua mãe contava. O elenco do espetáculo é formado pelos atores da Cia. Estável: Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Dimarina Freitas, Nei Gomes, Osvaldo Hortênico, Osvaldo Pinheiro e Sandra Santana.
 
Nos bastidores da montagem estão Luís Rossi e Rita Benitez que criaram o cenário e o figurino, respectivamente; Erike Busoni, responsável pela iluminação; e Renata Zhaneta, que assina a direção.
 
Segundo Abreu, o espetáculo foi escrito a partir de um desafio proposto pela companhia. “Eles estavam pesquisando o circo com a historiadora Ermínia Silva. O material adquirido foi fundamental para o trabalho em questão”, completa.
 
Embora esteja falando de circo, o diretor explica que a paixão pelo picadeiro foi à primeira – e única – vista. “Quando criança, fui ao circo apenas uma única vez, mas foi o suficiente para me marcar por toda a vida.  Interesso-me muito pelo circo, assunto que sempre pesquiso e leio com prazer.”
 
Foi esse encantamento que o fez escrever a peça com um único objetivo: “que o espetáculo teatral repercutisse com a mesma força que o antigo circo imantava seu público.”
 
Para a coordenadora do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Marici Salomão, que já assistiu à peça, “O Auto do Circo” une pesquisa e estética. “O resultado é belíssimo”, comenta.
 
Em relação ao valor pago para assistir à peça – 1kg de alimento – Abreu acredita que este não é o principal motivo da aproximação do público com o teatro. “Penso que o preço influi, mas não é a resposta ao problema do esvaziamento das salas. O caso é complexo e passa pela re-pactuação dos artistas de teatro com o público, seus sonhos, questionamentos, visão de mundo e expectativas. Enfim, temos que reaprender a relação teatro/público para além da relação produto/consumidor”, conclui.
 
 
 
Serviço
“O Auto do Circo”
Quando: Até 4/12. Sábados e domingos, às 20h
Onde: Arsenal da Esperança
R. Dr. Almeida Lima, 900
Tel.: (11) 8708-9563
Ingressos: 1kg de alimento não perecível
 
 
 
Texto: Jéssika Lopes