Nove Caminhos

Publicado em: 13/08/2012

“O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir”. De quantas maneiras é possível enxergar essa frase do geógrafo Milton Santos? Quais desdobramentos poderiam ser gerados após uma reflexão em torno dela? Que caminhos são abertos ao pensar nessas possibilidades? Questões como essas atravessam os trabalhos do Módulo Vermelho da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Isso porque a epígrafe que serviu como material disparador desse Módulo foi justamente esta frase.

 

Para fornecer ainda mais suporte para as proposições dos aprendizes, a Escola promoveu, na última sexta-feira (10), um encontro entre cada um dos nove núcleos do Experimento e renomados artistas e pensadores de nove áreas diferentes.

 

Dessa forma, as salas da sede Brás receberam Luiz Fuganti (antropologia), Guto Lacaz (artes visuais), Aimar Labaki (comunicação), Patricia Nakayama (filosofia), André Martin (geopolítica), Ladislau Dowbor (meio ambiente), Celso Nascimento (música), Sergio Zlotnic (psicanálise) e Cláudio Novaes Pinto (sociologia).

 

“O colóquio forma a terceira parte das propostas que foram pensadas pedagogicamente para iniciar o Módulo Vermelho”, conta Ivam Cabral, diretor executivo da Escola. Desde o retorno para este semestre, os aprendizes foram provocados por várias ações: a primeira foi a escolha dos núcleos e o material de trabalho selecionado, enquanto a segunda foi assistir ao documentário “Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá”, de Sílvio Tendler.

 

“Essas abordagens são provocações para que os aprendizes percebam as possibilidades de pensar a partir da epígrafe que lançamos. Esses encontros pretendem fazer com que eles definam qual é a pergunta que vai orientar seus trabalhos”, explica Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Instituição.

 

Aprendizes em conversa com André Martin (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Com a proposta de formar de artistas que não se preocupem somente com as questões formais do teatro, mas com o que se quer dizer por meio dele, a Escola pretende, com essas iniciativas, ampliar a visão de mundo dos aprendizes. “Durante a última semana, trouxemos a inteligência de São Paulo para o coração da Instituição. Ver uma escola de teatro discutir temas como esses, que são fundamentais na construção não apenas de um projeto profissional, mas de um projeto de vida, é de um prazer inenarrável”, finaliza Ivam Cabral.

 

Texto: Felipe Del