No Caminho do Meio os Tijolos São Amarelos

Publicado em: 30/11/2010

Na infância, Maria Shu sonhava em ser escritora e atriz, mas a escrita e o teatro foram ficando pelo caminho. Ela, como uma garotinha do conto de fadas dos irmãos Grimm, marcou seu caminho com migalhas de pão para quando pudesse voltar. Entretanto, os pássaros trataram de comer as migalhas e ela deixou escapar, por anos, o seu de sonhar.

 

Assim, Shu trilhou por outras estradas, “mais denotativas que conotativas”, e, nesse caminho, encontrou rosas e espinhos, como em qualquer jornada. “Eu segui os caminhos do coração, da profissão, da fé e da maternidade, sem que eu compreendesse a saudade que eu trazia na bagagem. Saudade do que, afinal? Era de sonhar”, explica.

 

Um dia, essa jovem resolveu dar razão aos seus grandes mestres e seguir pela estrada do meio: “Descobri que nesse caminho, durante a primavera, os ipês coloridos, que normalmente enfeitam as calçadas de Sampa, cheiram à natureza e a Satyrianas”, revela.

 

As flores brotavam em todos os cantos: em tendas, em apartamentos, em charutarias. Cheiro doce, de coxia, de celebração. Portas e janelas se abriram para Shu entrar e ela entrou, acompanhada de seu texto “Giz”, como a curiosa Alice, de Lewis Carroll.

 

“De repente, eu me vi tímida e feliz, rodeada de amigos queridos, de mãos dadas com o meu amado Paulo, na casa do generosíssimo Ivam Cabral. Encontro regado a pão de queijo, bebidas, comidinhas. Parecia uma festa e eu me senti uma criança fazendo aniversário. Um novo ano começava ali: a minha estreia como dramaturga! O bolo? A leitura dramática do meu texto “Giz”, que pude dividir com cada convidado”, emociona-se.

 

A voz segura da atriz e diretora Lavinia Pannunzio conduziu as rubricas da leitura dramática do texto, Lara Hassum e Mateus Monteiro, aprendizes do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, deram vida aos personagens que essa aprendiz criou carinhosamente pensando nesses amigos.

 

Para Shu, participar da Satyrianas espalhou nela o perfume das flores de novembro. “Vi cada palavra ganhando cor, textura e criando raízes em mim. Presente de aniversário um mês adiantado! Meu presente foi o calor do encontro e da comunicação que o teatro promove; foi poder uma contar uma história porque vi que a minha imaginação não foi afogada pelo contínuo orvalhar do bosque de ‘João e Maria’”, conclui.
 
 

Maria Shu segue caminhando. E, dessa vez, diz que nenhuma ave voraz e glutona ou uma bruxa má do Norte vai desviar do caminho. Atualmente, escreve e lê textos infantis para sua filha Heloísa e oferece suas crônicas para jornais de bairro. Enquanto, tenta montar um grupo de teatro, cria sua primeira peça longa, “Aluga-se”, com a intenção de uma nova parceria com os atores Mateus Monteiro, Lara Hassum e a diretora Lavinia Pannunzio.

 

Mas o que faz a Maria Shu?

 

Além de aprendiz do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro, Shu frequenta o “Dramaturgia Concisa e Contemporânea”, onde conheceu a atriz e diretora Lavinia Pannunzio, que dirigiu a leitura dramática de “Giz”, na Satyrianas, dentro do Projeto Ouvi Contar.

 

Shu também é professora. Nasceu em Guanambi (BA), mas vive em São Paulo desde a primeira infância. Formou-se em Letras, tendo lecionado na rede pública durante 13 anos. Participou de oficinas de teatro no “Tendal da Lapa” e cursou a Teatro Escola Macunaíma sem concluir. Venceu alguns concursos literários como contista, haicaísta, teve algumas crônicas publicadas em jornais e é uma das vencedoras do Concurso MiniDrama, promovido pela SP Escola de Teatro.