Morre o diretor e dramaturgo Fauzi Arap

Publicado em: 05/12/2013

Fauzi Arap, um dos dramaturgos e diretores mais importantes do teatro nacional, morreu, aos 75 anos, na manhã desta quinta-feira (5), em São Paulo, vítima de um câncer na bexiga. 

 

De acordo com familiares, Fauzi morreu enquanto dormia, em casa. O velório será realizado na Catedral Ortodoxa, no bairro do Paraíso, em São Paulo. O enterro acontecerá amanhã (06/12), no cemitério São Paulo, em Pinheiros.

 

Fauzi Arap nasceu na cidade de São Paulo, em 1938, e formou-se engenheiro civil, em 1961, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), mas foi no teatro que encontrou a sua área de atuação profissional, ao participar do Teatro Oficina, quando o grupo ainda era amador e, como ator, participou do elenco da primeira montagem profissional, em 1961: “A Vida Impressa em Dólar”, de Clifford Odetts, com direção de José Celso Martinez Corrêa. Por seu trabalho, recebe os prêmios Saci e Governador do Estado de Melhor Ator Coadjuvante.

 

Apesar dos prêmios e de atuações marcantes, tanto no Oficina como no Teatro de Arena, como “José do Parto à Sepultura”, de Augusto Boal, direção Antônio Abujamra, em 1961; “A Mandrágora”, de Maquiavel, direção Augusto Boal, em 1962; “Pequenos Burgueses”, de Máximo Gorki, em 1963, e “Andorra”, de Max Frisch, em 1964, ambas direções de José Celso Martinez Corrêa, passou a se dedicar mais à direção do que à atuação, que abandonou, em 1967, depois de dividir o palco com Nelson Xavier, em “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, de Plínio Marcos, em que também assinou a direção.

 

Como diretor, lançou importantes autores nacionais, como Plínio Marcos, Antônio Bivar (“Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã”) e José Vicente (“Assalto”). Seu nome ficou conhecido do grande público ao assinar a direção do show “Rosa dos Ventos”, em 1971, promovendo uma guinada na carreira da cantora Maria Bethânia e reafirmando a postura cênica da intérprete.

 

Além de dirigir, iniciou, em 1975, a carreira de dramaturgo, encenando seu texto “Pano de Boca”, que lhe rendeu o prêmio Molière de Melhor Autor. Em 1983, com seu texto “Quase 84”, dirigido por Ivan de Albuquerque, voltou a ser premiado como autor, desta vez com o Prêmio de Mambembe.

 

Nos anos 1990, trafegou por diferentes estilos de dramaturgia, dirigindo, sempre com sucesso, as peças “Santidade”, de José Vicente, que havia sido proibida pela Censura em 1968, e a comédia “Caixa 2”, de Juca de Oliveira. Com esses espetáculos, recebeu dois prêmios Shell de Melhor Direção.

 

 

Leia homenagem feita por Luis Nader a Fauzi Arap, em 2012:

Fauzi Arap por Luis Nader