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Modos de Pensar Teatro: Relação entre Prática, Criação artística e Pedagogia

Publicado em: 17/09/2010

 

 

Logo cedo na ensolarada manhã dessa sexta-feira (17), os aprendizes de todos os Cursos Regulares já quebravam a cabeça para elaborar questões sobre o teatro épico. Divididos em grupos, eles discutiam ideias, incógnitas, dúvidas e anotavam suas questões em um papel. E essas foram muitas. A proposta do exercício foi da diretora e pesquisadora Maria Thaís, que veio até a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco para realizar uma palestra sobre os elementos da atuação no Teatro Épico.

 


“Escolhi realizar uma conversação em lugar de uma palestra, porque isso diz respeito ao próprio tema proposto. Afinal, quando falamos de atuação, discorremos em ação, de um tempo e espaço transformado. Assim, não sou só eu a responsável por fazer estabelecer este espaço de conhecimento. Estamos juntos modificando esse espaço”, explica Maria Thaís.

 


Essa conversa dá continuidade ao projeto que engloba um ciclo de oito seminários que abordam a relação da cidade com o teatro e o gênero épico. Cerca de 200 aprendizes se dividiram em duas salas para ouvir as palavras de Maria Thaís e sanar suas dúvidas, numa das salas a diretora respondia as questões elaboradas pelos aprendizes, em outra, um telão projetava o discurso ao vivo.

 


Maria Thaís saiu do interior da Bahia para estudar teatro no Rio de Janeiro e lá ficou por 12 anos. Hoje é consultora pedagógica da SP Escola de Teatro, doutora em Artes Cênicas e Professora de Improvisação e Direção Teatral na Universidade de Campinas (Unicamp). Diretora da Cia Teatro Balagan, realizou pesquisas no Centro Estatal de Estudos da Arte e na Escola de Arte Dramática de Anatoli Vassiliev, ambas em Moscou, Rússia. Também coordenou e implantou o projeto Escola Livre de Teatro, da Prefeitura Municipal de Santo André.

 

Após a reunião dos grupos, os aprendizes formularam perguntas como: De que forma ocorre a catarse no teatro épico? Qual a grande diferença entre o teatro épico e o brechtiano? Qual a função da música no teatro épico? Quais são os procedimentos possíveis e existentes para se pensar na preparação do ator épico. Qual a diferença entre ator épico e ator narrador?  Como se resolve a parte técnica para um espetáculo épico, no quesito luz, som e cenário? O cenário épico tem qual característica? Ele é mais plástico ou simbólico? Existe tema propriamente épico? O que é o épico hoje?

 

Antes de responder, Maria Thais ouviu, anotou todas as questões e logo começou a  explicar que o teatro épico não deve ser categorizado, pois nele existe uma relação dialógica com história, espaço, atores e espectador. “As perguntas, de certo modo, indicam como se vocês estivessem falando de uma categoria, mas começo a responder as perguntas dizendo que o épico não pode e nem tem um lugar tão definido assim. É de relação que estamos falando, não de exposição”, explica.

 


“Se encaramos as categorias criadas pela história para entender de alguma maneira o que se produz no teatro, entende-se que a própria noção de gêneros (épico, lírico e dramático), se firma nos séculos 18 e 19”, esclarece a diretora. “Ainda que se tenha a poética do Aristóteles, as proposições dessas categorias eram de outra natureza. Anatoli Vassiliev é muito claro quando tenta definir essas categorias, o tempo inteiro eles nos alerta que há uma contaminação, que no teatro não se encontra um gênero puro. O ato teatral é prenhe dessa relação que a gente poderia dizer ‘épica’”.

 

Para Joaquim Gama, coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro, a importância desses espaços de discussão e reflexão, pode parecer menos estimulante e empolgante que os Territórios Culturais, mas é um espaço de extrema importância para o ensino. “O diálogo que se estabelece e a importância do olhar do especialista sobre a temática do teatro épico são fundamentais para que nossas ações (como o experimento) dialoguem com as proposições e falas colocadas nas palestras desses ciclos.”

 


No Módulo Amarelo, a proposta pedagógica foca seu eixo temático no estudo do épico e seu elemento operador no lugar não edificado para a atividade teatral, o projeto do ciclo de palestras tem o objetivo de ampliar as discussões sobre esses dois assuntos. Os pesquisadores Ingrid Koudela, Luis Alberto de Abreu, Márcio Aurélio, José Fernando Azevedo, Alexandre Mate e José Simões já participaram do ciclo que, a cada semana, recebe um novo convidado.