Metodologias de Criação em Artes Cênicas

Publicado em: 07/02/2011

Realizado no site da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, na última quinta-feira (3), o convidado Marcus Mota, professor de teoria e história do teatro no departamento de artes cênicas da Universidade de Brasília (UnB), discutiu as “Metodologias de Criação em Artes Cênicas” no primeiro bate-papo online do ano. 

 

Durante a conversa virtual, Mota explicou que o processo criativo cênico envolve muitas tarefas e habilidades, por isso é preciso uma abordagem que dê conta dessa multiplicidade para que não haja frustração ou acúmulo desnecessário de tarefas. “Como os processos criativos em artes cênicas envolvem muitas etapas e habilidades, cada um determina uma abordagem diferente. Na verdade, a melhor maneira de realizar um projeto é se abrir para diversos tipos de abordagem que cada processo exige”, revela.

 

Para criação de uma metodologia, o professor explica que é necessário que se faça um levantamento das habilidades do grupo, para, na sequência, começar a desenvolver a proposta. “Se você escolhe uma proposta mas não tem gente habilitada para desenvolvê-la, terá problemas pela frente. Muitas vezes, o tamanho do sonho não cabe na dimensão dos recursos disponíveis”, conclui.

 

Quando cita seu trabalho pessoal, Mota revela que se utiliza de diversos métodos devido aos inúmeros estilos de produção, recepção e composição que seus projetos possuem. “Temos uma onda de processo colaborativo, uma de comédia solo, outra de experimentação… cada um desses estilos têm uma abordagem, mas que se valem de metodologias que poderiam ser consideradas excludentes. Para mim, o mais importante é cada grupo estar consciente, tanto de seus recursos materiais quanto dos conceitos”, comenta.

 

Segundo Mota, para entender a recepção é preciso fazer uma distinção entre ela e o público. “Uma coisa é gente reunida por acaso para ver algo como um acidente de trânsito. Outra, é a projeção de um lugar recepcional: quando a plateia vai ver um espetáculo, ela começa a se transformar na ‘recepção do espetáculo’, à partir do momento que deixa de ser público e passa a ser plateia. Um espetáculo é isso: a arte de transformar público em plateia. Então, a construção da recepção começa junto com a construção da dramaturgia e da composição”, conta.

 

Desde o século XX, a centralização da composição nas mãos de uma pessoa tem sido muito questionada, por isso, nasceram as chamadas dramaturgia da encenação, da luz,  do movimento, do ator, etc. “Uma coisa que eu pergunto quando estou em processos criativos dentro de relações de ensino-aprendizagem é o seguinte: no que, de fato, você é bom? Ou, o que você, de fato, quer fazer ou é capaz de realizar em quatro meses ou em um ano?”, explica Mota.

 

“Com o fortalecimento da cultura de editais cada vez mais é preciso saber: para quem você está propondo essa obra? Essa é uma pergunta que deve interferir diretamente no processo e no produto criativo”, conclui.

 

Na programação de 2011, Maria Thereza Azevedo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT); Maria Ângela de Ambrosis, da Universidade Federal de Goiás (UFG); Narciso Teles, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); Dulce Aquino, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), André Carreira Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); e Daniele Pimenta, da Cia. Piquenique de Teatro, formam a lista de pesquisadores e artistas que vão partilhar seus conhecimentos no bate-papo online.

 

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