Loucos no Teatro

Publicado em: 16/04/2013


Isabelle Huppert em cena de “4.48 Psychose”, versão francesa do derradeiro texto de Sarah Kane (Foto: Divulgação)

Note, caro leitor, que o título deste texto não é “Loucos pelo Teatro”, mas sim “Loucos no Teatro”. Assim, o assunto de hoje são as montagens que levam aos palco os mais variados estados da mente humana. Sim, os mais variados, aqueles que são classificados como fora de sua “normalidade”.

Nessa linha, um dos textos mais encenados é “Psicose 4h48”. Classificado por alguns como “mito da dramaturgia britânica contemporânea”, a peça foi escrita por Sarah Kane (1971-1999). A autora, acometida por forte depressão, tinha certa fixação pelo tema do suicídio e essa peça, sua derradeira, trata exatamente desse assunto. Seu título traz a hora em que ocorrem mais suicídios em todo o mundo (embora faltem dados científicos sobre isso).

O fato é que o texto é um prenúncio do destino de Sarah: no dia 20 de fevereiro de 1999, depois de uma tentativa frustrada, ela acabou se enforcando no banheiro do London’s King College Hospital, aos 28 anos, após passar por outras instituições, onde permaneceu internada para tratar de sua forte depressão.

“4.48 Psychosis” (Psicose 4:48, em português), sua última e mais radical peça, é uma narrativa densa, fragmentada, não-linear, de uma mente conturbada, depressiva e esquizofrênica, à beira da loucura. Esse texto só foi encenado após a morte da autora, no Royal Court Theatre, em 23 de junho de 2000.

O fascínio que essa obra provoca é tamanho, que ela já foi montada em todo o mundo, especialmente na Europa. Aqui no Brasil, ganhou os palcos com Luciana Vendramini, Rosana Stavis (Cia. de Teatro Marcos Damasceno) e até com a musa francesa Isabelle Huppert, que em 2003 levou a peça ao Sesc Consolação, sob a direção de Claude Régy.

Agora, é a vez de Laerte Mello, o único tradutor de Sarah Kane no Brasil, devidamente autorizado pela família da dramaturga, a assinar a direção de “Psicose 4h48”. Nesta versão, o diretor optou por “dividir” a personagem principal entre os atores Cláudia Piassi, Daniela Theller, Elisa Porto, Erika Máximo, Felipe Schermann, Leandro D’Errico, Renata Aspesi e Thomas Basso. A peça cumpre temporada no teatro da Cultura Inglesa Pinheiros.

Outro espetáculo em cartaz que mergulha na psiquê humana é “O Mal Dito”, no Espaço dos Satyros Um. Aqui, o ator Fransérgio Araújo, que também dirige o trabalho, leva ao palco sua leitura peculiar de “Os Cantos de Maldoror”, de Lautréamont, pseudônimo do escritor Isidore Ducasse (1846-1970). Na montagem, Fransérgio serve-se de sua experiência pessoal, durante um período em que enfrentou surtos psicóticos, oriundos de um quadro de esquizofrenia e bipolaridade, para dar vida ao texto. “Não houve pesquisa corporal. Enceno as expressões que vivenciei”, conta Fransérgio, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Serviço
Peça: “Psicose 4h48”
Quando: Segunda e terça-feira, às 21h
Onde: Cultura Inglesa Pinheiros
Rua Deputado Lacerda Franco, 333 – Pinheiros
Tel. (11) 3814-0100
Grátis (ingressos distribuídos, no local, a partir das 20h)

Peça: “O Mal Dito”
Quando: Sexta-feira, às 23h59; domingo, às 21h
Onde: Espaço dos Satyros Um
Praça Roosevelt, 214 – Consolação
Tel. (11) 3258-6345
R$ 30 (inteira)



 

Texto: Leandro Nunes

 

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