Hugo Possolo por Mário Viana

Publicado em: 30/03/2012

Ele entra em cena, fala duas ou três coisas e a plateia começa a rir. Ele diz que detesta bossa nova e que adora Chico Buarque. Ele segue o noticiário político como quem assiste a um péssimo espetáculo circense. E trata cada espetáculo em que atua como um jogo da melhor política. Ele não tem o menor problema em mostrar a bunda em cena, mas tente chegar atrasado cinco minutos ao ensaio. 

 

Hugo Possolo não deixa barato. Entra em cena com o olhar atento, sabe o que acontece no palco e na plateia. Respeita e exige respeito – e é capaz de ataques de fúria quando o desrespeito está rolando. E é capaz de gestos de extremo carinho, daqueles discretos, que só quem recebeu entende.

 

Trabalhar com Hugo Possolo é aprender muita coisa: a arte de rir, a matemática da piada, o controle da cena que começa já no texto – há que se escrever direito para que o ator possa se atirar no espaço sem rede aparente; a rede é a malha de palavras que tecemos. Trabalhar com Hugo Possolo é tratar o teatro como quem trata o ser amado, o filho dileto – com carinho, ciúme e, também, rigor. E com brecha pra surpresa diária.

 

Por isso, toda vez que o celular toca e aparece lá o nome do Hugo Possolo, eu já sei que vem bomba. É sempre um convite ao qual eu nunca digo não, por mais maluca que a proposta pareça. Porque eu sei que vai dar certo. E porque eu sei que aquele trabalho vai ser mais uma prova de que teatro se faz com prazer e verdade – que nem na piada do casal português: goza-se, mas é a sério.

 

 

Veja o verbete de Mário Viana e Hugo Possolo na Teatropédia.

 

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