Grande Ato – Banho da Dorotéia

Publicado em: 01/07/2011

Uma edição especial do Território Livre, espaço oferecido pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco para aprendizes e funcionários compartilharem os seus talentos e aptidões, vai agitar o pátio central da Instituição, amanhã (02/07), às 13h.

 

O “Grande Ato – Banho da Dorotéia”, como denomina o aprendiz de Técnicas de Palco Luis Gustavo Garcia, idealizador do projeto, foi inspirado na personagem homônima, de Nelson Rodrigues, e também, no Banho da Dorotéia, ritual muito comum nas cidades do litoral paulista.

 

Segundo o aprendiz, o conceito, na verdade, é sem nenhum pré-conceito. “O ‘Banho da Dorotéia’ é um evento que ocorre uma vez por ano. A festa se resume ao seguinte: todos os homens da cidade saem transvestidos, vão até a praia e se jogam no mar”, conta.

 

Assim, a proposta é que todas as pessoas que desejarem participar do ritual venham travestidos. Isso mesmo: vestidos com roupas do sexo oposto. “Provar de forma explícita que a Escola apoia a diversidade e não tem preconceitos quanto à sexualidade é o intuito da confraternização”, explica.

 

“Com os meninos vestidos de meninas, meninas vestidas de meninos, transexuais meninas vestidas de meninos e transexuais meninos vestidos de meninas, convido todos meus amigos aprendizes, funcionários e amigos da Escola para que venham participar do “Grande Ato – Banho da Dorotéia”. Vamos vir todos trocados e travestidos”, convoca.

 

Tradição Antiga

Criado em 1923, na cidade de Santos, o Banho da Dorotéia é uma das manifestações populares mais antigas do Carnaval paulista. Alguns afirmam que a criação foi inspirada na mitologia grega, outros, dizem que ela nasceu por conta das famílias que queriam aproveitar não só as noites, mas também os dias de folia.

 

O Banho da Dorotéia consiste em um desfile, onde fantasias são feitas à base de papel crepom. Sempre com início em uma avenida e término no meio do mar. Os adeptos desta tradição acreditam que, ao desfilarem pelas ruas e pularem na água, o desfazer dos adereços no mar carrega para longe as energias negativas.

 

Dorotéia, por Nelson Rodrigues

Ex-prostituta, Dorotéia largou a profissão depois da morte do filho e foi morar na casa de suas primas: três viúvas puritanas e feias que não conseguiam enxergar os homens e, sobretudo, não dormiam para não sonhar. Ao contrário das mulheres da família, Dorotéia é bonita, exuberante e não tem aversão aos homens, mas, em troca de abrigo, aceita se tornar tão feia e puritana como as primas.

 

Sexta das dezessete peças do Nelson Rodrigues, “Dorotéia”, escrita em 1949, foi rotulada pelo crítico Sábato Magaldi como a quarta e última peça dentre as chamadas “peças míticas” do dramaturgo, sucedendo Álbum de Família (1945), Anjo Negro (1946) e Senhora dos Afogados (1947).

 

Serviço:
“Grande Ato – Banho da Dorotéia”
Quando: Sábado (02/07)
Horário: 13h
Onde: SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco
Av. Rangel Pestana, 2.401, Brás