Formação Profissional no Teatro de Animação

Publicado em: 19/10/2010

Por  Valmor Níni Beltrame

Um dos temas mais recorrentes nos debates realizados em encontros e festivais de Teatro de Formas Animadas no Brasil nas últimas décadas tem sido a formação profissional de artistas que atuam com essa arte. Certamente isso ocorre porque as exigências para o exercício da profissão, hoje, são mais complexas do que acontecia nas décadas de 1950 e 1960, época em que começavam a surgir as primeiras preocupações em torno da profissionalização de titeriteiros. Nos últimos tempos, o Teatro de Animação no Brasil vem superando idéias que o senso comum alimenta: a crença de que titeriteiro, bonequeiro, ator animador é profissão para a qual são suficientes o “dom” e “aprender fazendo”. Mais e mais a necessidade de profissionalização se torna evidente, enfatizando a urgência do domínio de saberes técnicos, práticos e teóricos relacionados ao ofício, superando a situação de diletantismo que ainda marca o perfil de muitos artistas e grupos de teatro.

No entanto, em nosso País, não existem escolas que ofereçam formação superior ou formação técnica, no âmbito do ensino formal, para a profissão de titeriteiro ou de ator animador, como ocorre em diversos países da Europa e em alguns países vizinhos na América do Sul. Contudo, existem duas importantes iniciativas que merecem destaque: a Escola Giramundo em Belo Horizonte e o Centro de Estudos e Práticas do Teatro de Animação em São Paulo. As duas escolas atuam como “espaço de iniciação à prática do teatro de bonecos, dedicando-se ao desenvolvimento técnico de habilidades ligadas ao ofício do marionetista”. São iniciativas relevantes e preenchem lacunas e demandas locais. 

No Brasil, os “cenários” nos quais acontece a formação profissional são variados, cada um desempenhando a seu modo funções importantes para a profissionalização desse artista. A realização de oficinas, cursos, ateliês abertos, o processo de montagem de espetáculos no interior dos grupos de teatro, pesquisas efetuadas dentro e fora de universidades, a realização de festivais de teatro, o oferecimento de disciplinas sobre teatro de animação na grade curricular de cursos de bacharelado e licenciatura em teatro em diversas universidades brasileiras, o intercâmbio entre grupos configuram variados espaços e iniciativas que objetivam contribuir para a profissionalização nessa arte.         

No ano de 2009 foi publicada a Revista Móin-Móin nº6 sobre o tema: Formação Profissional no Teatro de Formas Animadas com o objetivo de enriquecer o debate sobre o assunto. A revista reúne estudos sobre as variadas maneiras como se processa a formação do profissional que trabalha com essa arte ou do jovem artista que opta pela profissão de ator no Teatro de Formas Animadas.

A expectativa é que as reflexões ali apresentadas suscitem a sistematização de práticas e iniciativas que vêm acontecendo em diferentes pontos do Brasil, tanto no interior dos grupos de teatro quanto em instituições culturais e universidades.  A Revista está disponível no seguinte endereço:                 http://www.ceart.udesc.br/ppgt/publicacoes_moinmoin.html