Felipe Hirsch Divide Histórias com os Aprendizes

Publicado em: 11/12/2012

Felipe Hirsch é um dos grandes nomes do teatro brasileiro contemporâneo. Com sua companhia, a Sutil, que fundou em 1993, em Curitiba, ao lado do ator Guilherme Weber, conheceu a fama e a consagração com montagens do quilate de “A Vida É Cheia de Som e Fúria” (2000), “Avenida Dropsie” (2005), baseada em graphic novel de Will Eisner e que obteve quatro indicações ao Prêmio Shell; “Não Sobre o Amor” (2008), entre outras. Por sua direção, já passaram nomes como Paulo Autran (“O Avarento”, em 2007) e Marco Nanini (“Pterodátilos”, em 2011).

Apresentações feitas, como se vê, não faltam motivos para que o diretor fosse convidado a dar uma palestra para os aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. O encontro aconteceu na noite de ontem (10), no 6º andar da Instituição, na Sede Roosevelt.

Depois de discorrer sobre sua trajetória no teatro e à frente da Sutil Companhia, Hirsch abordou alguns conceitos, os quais acha fundamentais, como, por exemplo, o que ele chama de “dessetorização do teatro”. “Nas montagens da Sutil, podemos enxergar como são borradas as fronteiras entre as artes, ou seja, o teatro e o cinema, as artes plásticas e a cenografia. Em ‘Não Sobre o Amor’, por exemplo, muitos críticos diziam, acertadamente, que o cenário, assinado pela Daniela Thomas, poderia muito bem estar em exibição em uma galeria de arte”, cita o diretor.

Aliás, a parceria com a cenógrafa Daniela Thomas, tão aplaudida em trabalhos como “Não Sobre o Amor”, “Avenida Dropsie” e “Temporada de Gripe” (2003), além do filme “Insolação” (2009), foi comentada por ele: “Nossa parceria é desesperada, no sentido de a Daniela sempre estar envolvida em outros mil trabalhos e eu, em outros tantos. A gente às vezes fica sentado, em uma sala, cada um elaborando algo, em total silêncio, ou trocando ideias, sem parar de falar, por horas. É uma relação de respeito e admiração mútuos”.

Criar em parceria ou em grupo é, segundo Hirsch, algo inato. “Há o mito (bem real, na verdade) do diretor que grita ou que se fecha e não permite trocas com o elenco e o restante da equipe. Eu acho que quem grita é porque está desesperado por não saber a resposta para algo que deve ser resolvido. E isso é tão bobo, porque não há liberdade maior do que o artista dizer ‘não sei’. As certezas virão, mas são fractais”, opina.

Perto do fim do bate-papo, o diretor, revela o porquê de sua escolha pelo teatro. “Eu escolhi o teatro porque não tenho nenhum talento para a posteridade”, encerra.


Texto: Majô Levenstein