Explorando o Mundo da Luz

Publicado em: 10/05/2011

O curso de Iluminação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco vai além dos palcos de teatro, dialogando, por exemplo, com as artes visuais, cinema e música no intuito de formar profissionais com conhecimento mais abrangente e olhar crítico. O coordenador do curso é Guilherme Bonfanti e a formadora é Grissel Piguillem.

 

Para confirmar essa abrangência, em uma das aulas, ministrada pelo artista convidado Evaldo Mocarzel, o tema foi “Os Fundamentos da Direção Cinematográfica Segundo Robert Bresson”.

 

Utilizando como base o livro “Notas Sobre o Cinematógrafo”, de Robert Bresson – que foi traduzido por Mocarzel –, o artista convidado fez uma abordagem da obra e do pensamento do autor, considerado um dos três maiores cineastas da história do cinema.

 

Assim, Mocarzel dividiu o tema em quatro partes: Bresson e a Pintura, Bresson e a Música, Bresson e seus Modelos e Bresson e a Epifania. Em cada uma das divisões, foi explicada a concepção do artista. Na pintura, por exemplo, costumava deixar espaços vazios nos quadros, porque acreditava que isso estimulava a imaginação das pessoas, fazendo com que elas mesmas completassem e dessem sentido à obra. 

 

“Bresson largou a música após perceber que essa, muitas vezes, era não-diegética, ou seja, não fazia parte de uma determinada ação, de um contexto. Por exemplo, quando em um filme é tocada uma canção que não dialoga com aquela situação, ela não é diegética”, explica Mocarzel.

 

Sobre os atores, Mocarzel explica que Bresson não gostava dos que seguiam um roteiro arquitetado, pois isso limitava sua atuação e tirava-lhes a autenticidade. Observou ainda que o cineasta era católico e acreditava que “a câmera podia captar manifestações divinas em ações banais”.

 

Em seguida, comentou que a base da visão do artista era a procura do real dentro da arte, sem interpretação ou limitações. “Bresson buscava o brilho súbito, o ato falho do movimento. Essa era a sua essência.”

 

Além de especialista em Robert Bresson, Mocarzel é jornalista e cineasta. Depois de ser editor do Caderno 2, no jornal O Estado de São Paulo, estreiou no cinema com o documentário “À Margem da Imagem”, premiado em diversos festivais. Na sequência desse, realizou “À Margem do Concreto”, “À Margem do Lixo” e “À Margem do Consumo”, entre outros documentários. Atualmente, além de ministrar aulas na SP Escola de Teatro, é professor de cinema na Escola Superior Sul Americana de Cinema e Televisão do Paraná (CINETVPR).