Espetáculo recria últimos momentos de Federico García Lorca

Publicado em: 26/02/2015

Autor de livros e peças de grande potência artística, a importância do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936) não se restringe à sua obra: ele foi uma das primeiras (se não a primeira) vítimas da sangrenta Guerra Civil Espanhola, por conta das posições republicanas que tomava frente ao fascismo franquista. O artista tinha 38 anos quando foi fuzilado pelos homens do ditador Francisco Franco, perto de Granada. 

 

A execução ganhou repercussão mundial e deu início efetivamente à Guerra. O corpo de Lorca nunca foi encontrado, mas sua voz permanece viva e potente até hoje, representando a luta dos artistas por um mundo mais justo e humano.

 

O triste fim de sua trajetória é recriado pelo ator Washington Luiz no espetáculo “Marica”, texto de Pepe Cibrián Campoy que está em cartaz no Teatro Leopoldo Fróes até o final de março, com direção de Marcio Aurelio. 

 

No monólogo, o autor de peças como “A casa de Bernarda Alba”, “Bodas de sangue” e “Yerma” encara seu assassino. Enquanto resgata na memória momentos de sua vida, ele lança questões pertinentes a cada um de nós, evocando nossa responsabilidade e nosso papel enquanto cidadãos.

 

Pouco antes de ser executado, em 19 de agosto de 1936, Lorca havia sido preso por ordem de um deputado católico, sob acusação de ser “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”, além de ser homossexual assumido. Afinal, as ideias do “Generalíssimo” e seus seguidores poderiam ser sintetizadas pelo grito proferido pelo General Millan Astray, um dos generais do ditador, na Universidade de Salamanca: “Abaixo a inteligência! Viva a Morte!”.

 

Serviço

“Marica”

Quando: Sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h (até 29/3)

Onde: Teatro Leopoldo Fróes

Rua Antônio Bandeira, 114 – Vila Cruzeiro

Tel.: (11) 5541-7057

Ingresso: R$ 10