Escuridão e Individualidade no Experimento

Publicado em: 23/05/2011

Cada abertura de processo dos Experimentos do Módulo Azul tem a capacidade de fazer com que os espectadores sintam algo diferente. A performance que o grupo 4 realizou na última sexta-feira (20/05), por exemplo, podia causar qualquer coisa entre o medo e o incômodo. O grupo é dirigido pelos aprendizes de Direção Felipe Menezes e Vanessa Ferreira, e coordenado pelo formador de Sonoplastia Martin Eikmeier. 

“Nosso Experimento partiu de uma relação entre arte e vida. Essa é a principal proposta. Chegamos à conclusão de que quando o homem modifica o seu olhar, a arte se também se modifica, e é assim que deve ser”, explica Vanessa.

A apresentação teve como palco a sala 6, que perdeu praticamente toda sua iluminação para que o público se situasse no clima da performance, que consistia em um diálogo entre duas personagens no mínimo intrigantes. Uma delas é como uma massa amorfa composta pelos corpos de quatro atrizes envolvidas por um tecido branco. O outro, não menos estranho, era um homem vestido em terno e calça pretos, com uma máscara branca distorcida no rosto. Seus braços, espalhados pelo chão, mediam mais de 2 metros.

Esses elementos, somados ao som pesado e ao texto mórbido que era recitado pelas personagens, resultavam em um ambiente pesado e obscuro. No centro da sala, em um recipiente ,bexigas – que também pareciam estar em estado de decomposição – eram iluminadas por uma luz vermelha. No momento em que a tensão atinge seu ápice, as bexigas explodem e deixam vazar água por toda a sala.

Para chegar a essa proposta, segundo a diretora, o grupo observou que “o homem tem que afirmar o que o torna diferente, especial. É isso que o caracteriza como homem”.