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Encontrando a Beleza em Artaud

Publicado em: 19/05/2011

Era uma sala fechada e escura, com paredes e chão cobertos por um plástico preto. Ainda assim, a escassa iluminação azulada do ambiente se fazia suficiente para que todos os elementos da performance pudessem ser vistos e, principalmente, “sentidos”.

 

Assim teve início a abertura de processo do grupo 1 do Módulo Azul da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, coordenado pelo formador de Atuação, Filipe Brancalião, e dirigido pelos aprendizes Adalberto Lima e Leonardo Mussi.

 

Logo na entrada, uma atriz vestida de branco contemplava o mar, representado em uma tela por imagens transmitidas de um retroprojetor. Repetidamente, ela colocava e retirava uma malha fina por cima da roupa.

 

Um pouco mais adiante, um dos atores permanecia parado em um canto, desnudo da cintura para cima, com exceção da face, que trazia uma máscara em formato de bico. Sua estaticidade seria quebrada alguns instantes depois, no momento em que foi enterrado sob carvão e ameaçado de ser incendiado com fósforos arremessados por outra atriz.

 

Em um dos cantos da sala, um ator saía de um plástico como quem se liberta de um casulo, recitando “necessidade ou insanidade”, dentre outras frases que o situavam no limiar entre a loucura e a razão. Sobre ele, cadeiras pendiam do teto, emboladas em uma espécie de rede que se assemelhava a teias de aranha. Cada vez mais ofegante, e transmitindo uma intensa agonia, ele se cobria por uma fita plástica.

 

No fundo do espaço, uma mulher de preto sentada sob uma espécie de “varal” com rosas vermelhas, segura uma bacia no colo. 

 

Com todas ações se desenrolando simultaneamente, os espectadores andavam pela sala, se revezando na apreciação de cada uma delas. 

 

Brancalião observa que essa foi a primeira vez que realizaram a performance reunindo o espaço cênico e a atuação simultaneamente, e ressalta a atuação do grupo. “A partir das temáticas levantadas inicialmente pelos atores, a cenografia e a luz montaram uma estrutura para elas.” 

 

Depois de alguns minutos, os integrantes do grupo deixaram seus postos e abriram todas as janelas, pedindo, com gestos, que os espectadores olhassem para baixo, em direção ao pátio. Lá, atores derramavam e misturavam no chão tintas nas cores verde, amarelo e rosa.

 

Segundo o diretor Adalberto Lima, o grupo partiu do conceito de trabalhar em cima da obra de Artaud para “chocar o público pela beleza e não pelo brutal, como é comum”.

 

Brancalião explica que essa ideia de buscar a beleza era a primeira proposta levantada pelos aprendizes. “A segunda era a seguinte questão: o que eu faço com as coisas que me afetam?”

 

O grupo 1 faz mais duas aberturas de processo, nos dias 19/05, às 10h30, e 21/05, às 10h, utilizando novamente a sala 39 e o pátio.

 

Para conferir todas as fotos dessa performance, acesse a Galeria Multimídia.