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Dupla Jornada em "AquiDentro" e "AquiFora"

Publicado em: 22/07/2010

 

Uma intervenção teatral foi proposta aos espectadores e habitantes da cidade paulista que abriga o Festival Internacional de Teatro em São José do Rio Preto – FIT, esta semana. Com o nome de “AquiDentro”  e “AquiFora”, as duas modalidades cênicas buscam questionar a fronteira entre o que é ficção e o que é a realidade, promovendo um diálogo entre elas.

Cristiane Zuan Esteves, formadora do Curso de Atuação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, realizou a concepção, direção e dramaturgia dos dois espetáculos que procuram estabelecer relações entre o coletivo – ao colocar o público em uma jornada inserida no cotidiano dos habitantes da cidade – e, também, apresentar uma peça em um espaço fechado.

“AquiDentro” e “AquiFora” são duas dramaturgias independentes e complementares. Ao dialogar entre si e procurar libertar a percepção sobre vícios do cotidiano e pré-julgamentos, subvertem a relação de cada membro da plateia com o espaço e consigo mesmo. Provocam, assim, um questionamento nos espectadores sobre suas possibilidades de transformação no mundo contemporâneo e, ao mesmo tempo, os incluem em sua realização.

Como os espetáculos foram inicialmente criados para apresentações no centro da cidade de São Paulo, entre a Galeria Olido, na Avenida São João, até a Estação São Bento do Metrô, as modalidades cênicas tiveram que passar por adaptações para o FIT. “Em junho, fui até São José do Rio Preto e passei uma semana no bairro do Jardim Santo Antônio, para estudar o local, planejar o percurso e colher depoimentos dos moradores. Esse conteúdo passou a fazer parte dos dois espetáculos, no festival”, explica sua criadora.

Esses depoimentos gravados serviram de base para a sonoplastia dessa versão do espetáculo-percurso “AquiFora”, apresentado na Zona Norte da cidade do Noroeste paulista. O trajeto, do Parque da Cidadania até o Jardim Nova Esperança, um conjunto habitacional em construção, é percorrido pelo público, que veste capas amarelas e escuta, em um aparelho de MP3, além dos depoimentos, instruções e uma narração ficcional. Cria-se, assim, duas platéias distintas: a que participa, ouvindo a trilha, e outra que assiste à passagem do grupo de capas amarelas e suas ações coletivas. “Nós propomos novas experiências, brincamos com tentativas de novos olhares, colocamos o público em vários papéis, espectador, personagem e coator da obra”, afirma Cristiane.

Em “AquiDentro”, modalidade cênica realizada em um espaço fechado, o público também modifica seu papel ao ser convidado para ser colaborador criativo, interagir e se manifestar. Na sala, há cadeiras, caixas de remédio e balões. As cadeiras são colocadas em diferentes composições cênicas que simulam relações sociais (uma aula de anatomia, um restaurante e um avião) e provocam novas perspectivas sobre o tema.

 

“AquiDentro” e “AquiFora” fica em cartaz até dia 24 de julho no FIT.
 

Saiba mais sobre o grupo:

OPOVOEMPÉ surgiu em 2004, na cidade de São Paulo, reunindo artistas que se identificam com o trabalho de interpretação baseado na fisicalidade e no desenvolvimento do ator-criador no contexto contemporâneo. A diretora Cristiane Zuan Esteves e as atrizes-criadoras Ana Luiza Leão, Graziela Mantoanelli, Manuela Afonso, Paula Lopez  e Paula Possani formam o núcleo permanente do grupo, dedicado à criação e treinamento regular.

Desde 2005, o grupo realiza a “Guerrilha Magnética”, uma série de intervenções na rua e em espaços públicos que questionam a relação do homem com seu cotidiano nas grandes cidades. Já foram alvo das intervenções de OPOVOEMPÉ, a Praça da Sé, a esquina da Avenida Paulista com Rua da Consolação, além de supermercados, feiras livres e pátios. Nesses espaços, o grupo encheu as ruas com trouxas coloridas, flanelas alaranjadas, desenhou percursos com giz, ou simplesmente transitou entre a invisibilidade e o evento, entre o gesto banal e a dança.

Em 2007, OPOVOEMPÉ levou a linguagem desenvolvida nas intervenções para espaços fechados e realizou o espetáculo “9:50 Qualquer Sofá”, conemplado do PAC da Secretaria de Estado da Cultura. Em 2008, o grupo pôde aplicar seus métodos de intervenção em outras cidades, como Curitiba, no Paraná, e Zagreb, na Croácia.
 

Acesse: http://www.opovoempe.org

 

Texto: Renata Forato | Foto: Divulgação