Diretores falam do projeto “Metaxu em oito”

Publicado em: 22/07/2013

Desde a última segunda-feira (15), o 8º andar da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco sedia o projeto “Metaxu em oito”, uma proposta audiovisual, composta por oito experimentos audiovisuais de curta duração, idealizada pela atriz Helena Magon, pela figurinista ítalo-lusitana Silvana Ivaldi e pela atriz, roteirista e produtora Thais Simi.

O trio, que responde pela idealização, direção geral e produção do evento, convidou artistas renomados e de áreas distintas, como animação, teatro, artes visuais e cinema, para participarem desses experimentos audiovisuais, que tentam, cada um a seu modo, traçar um perfil da vida e trajetória da escritora e filósofa francesa Simone Weil (1909-1943). Assim, oito temas são trabalhados sob oito perspectivas de oito diretores diferentes.

Hoje (22), a partir das 19h30, a mostra recebe esses oito diretores para falarem sobre seus projetos. São eles: Alex Sernambi, a dupla Alvise Camozzi e William Zarella Jr., Kapel Furman, Luciano Maciel, Matheus Parizi, Marcio Mehiel, Maurício Paroni de Castro e Thiago Parizi. A direção de arte e sound design da instalação é de Patricio Salgado. E os textos de introdução poético-concretistas, projetados nas paredes da sala onde está a mostra, ao início de cada sessão, “O DNA de Simone Weil” e “Sou Simone Weil”, são da poeta Débora Aligieri.

 “Simone Weil, foi/é uma mulher impossível de se definir em um adjetivo ou poucas palavras. Francesa, de origem judia, nasceu em 1909. Como poucos, colocou seus pensamentos à prova, tanto experimentando-os como contradizendo-os. Manteve-se viva e sagaz durante seu percurso. Estudou o Catolicismo, combateu em guerra, escreveu sobre Filosofia, sobre Deus, Política, sobre o Trabalho Operário, a Condição do Homem, a Liberdade. Sua eterna busca pela verdade, com autenticidade e exigência singulares, permitiu-lhe inúmeras contradições e nenhuma verdade absoluta”, escrevem as organizadoras da mostra, em seu programa de apresentação do projeto.

Em tempo: no dia 30 de julho, às 19h30, haverá uma palestra com a professora e teóloga Maria Clara Bingemer.

Sobre os participantes
Helena Magon

Paulistana, formou-se em Arquitetura e Urbanismo. Desistiu da carreira de arquiteta e optou por um percurso que abrangesse mais vertentes artísticas. Seus trabalhos caracterizam-se por, além de atuar, participar de concepção dos mesmos juntamente com os diretores/co-criadores. Atriz da companhia Atelier de Manufactura Suspeita. Atuou no espetáculo “Voz humana”, direção Matheus Parizi. Trabalhou no Museu de Arte Moderna de São Paulo/Higienópolis. Em cinema, atuou no curta “Jogos”, que se destacou em festivais no Brasil e exterior; colaborou também em alguns roteiros para este formato. Em Salvador, criou a performance “Memória em Risco” com a artista multimídia Andrea May.

Silvana Ivaldi
Artista transdisciplinar ítalo-lusitana, formada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura de Lisboa e em Consultoria de Imagem pelo Instituto Marangoni (Milão). Já atuou na área de joalheria, styling em produção fotográfica e de passarela, além de trabalhar no setor de criação do ateliê de Katty Xiomara. A moda a levou aos figurinos e os figurinos, à atuação. Hoje, trabalha em várias frentes do teatro e do audiovisual. Trabalha regularmente com o Atelier de Manufactura Suspeita e faz parte do coletivo Sr.João. Divide-se entre Lisboa e São Paulo desde 2011, ano em que ganhou a bolsa Inov-Art.

Thais Simi

Iniciou sua carreira como bailarina clássica profissional viajando pelo Brasil, e, posteriormente, como modelo e atriz no exterior. Viveu alguns anos no Japão, principalmente em Tóquio, além de outros tantos meses em Barcelona, Madri, Buenos Aires, até fincar seus pés e ideias definitivamente em São Paulo. Trabalha como roteirista, atriz e produtora, com vários nomes do cinema e do teatro. Atuou em mais de dez curtas, como os premiados “Zigurate”, “Landau 66”, “Avalons”, “6Tiros 60ml”, “Don’t smoke” e também nos premiados longas “Encarnação do Demônio” e “Pólvora Negra”, nos qual foi indicada a melhor atriz no Prêmio Sesi do Cinema Paulista. Também fez seriados e novelas na TV. Atualmente, está na companhia de teatro Atelier de Manufactura Suspeita, e no longa “Desalmados”, ainda inédito.

Alex Sernambi

Natural de Belém (PA), estudou gravura na Escola de Belas-Artes da UFRJ e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Entrou para o cinema como assistente de direção de Fernando Cony Campos em “O mágico e o delegado”, em 1981. Foi morar em Porto Alegre em 1981 e lá se tornou diretor de fotografia, participando da retomada do cinema gaúcho e fazendo vários longas e curtas, dos quais o que mais se destaca é “O homem que copiava”, de Jorge Furtado. Em 2010, realizou a sua primeira exposição de desenhos digitais, “Cidade vazia”, no Museu do Trabalho, em Porto Alegre, e, em 2012, participou da coletiva “Sobre amanhã”, na Galeria ECARTA, também em Porto Alegre. Atualmente, reside em São Paulo.

Alvise Camozzi & William Zarella Jr.
Alvise nasceu em Veneza (Itália), onde trabalhou entre 1992 e 1994 com a companhia de commedia dell´arte A l´Avogaria. Em 1994, ingressa na Escola de Arte Dramática Paolo Grassi, de Milão, formando-se em 1998. De 1998 a 2000, trabalhou como ator entre Milão e Roma, protagonizando diversas produções. No Brasil, realizou seus primeiros trabalhos como diretor com “Phoebe Zeitgeist”, de Fassbinder, e “A noite de Molly Bloom”, de Sinisterra (2003). Em São Paulo, colaborou como ator com Gabriel Villela (“Fausto Zero”, de Goethe), Maurício Paroni de Castro (“Macbeth”, de Shakespeare), Diogo Vilela (“Otelo”, de Shakespeare), entre outros. Na TV, é co-roterista e protagonista, ao lado de João Miguel, na série “O louco do viaduto”, direção de Eliane Caffé. Entre seus trabalhos como diretor, estão “Só”, de Letizia Russo (2009 e 2010); “O bosque”, de David Mamet (2011), e “O feio”, de Mayenburg (2012).

William é artista plástico, designer e cenógrafo. Em São Paulo, dirige a Elastica Cenografia e Design, com a qual ganhou o Triga de Ouro, na última quadrienal de cenografia de Praga – 2011. Como escultor, colaborou com Marina Abramovich (Milão, PAC 2012) e Robert Wilson (São Paulo, “Macbeth”, Theatro Municipal 2012). Assina a direção artística e a cenografia de numerosos espetáculos e intervenções, entre os quais “O bosque”, “Babel” e “Bar”, da ópera pastiche “Rossini Hits”, da instalação “Inferno”, as obras multimídia para os espetáculos infantis “Yuuki” e “O Astronauta”.

Débora Aligieri
É escritora desde sempre. Em 2005, iniciou sua participação como colaboradora dos Jornais Café Literário, onde grande parte dos seus poemas foi publicada, e Jornal da Praça Benedito Calixto, escrevendo a coluna mensal “Jornal do Apocalipse”, de 2007 a 2009. Foi, ainda, colunista da luso-brasileira digital Revista Autor, de 2007 a 2011. Fez uma breve especialização em 2013 na área de letras, cursando “Espaços Contaminados: Literatura Hoje”, pela PUC-SP. Tem um fonograma no youtube chamado “DUO”, feito em parceria com Silvia Vasconcellos e Rita Alves. Atualmente, publica poemas e textos no blog Jornal do Apocalipse, nas seções Versos Satânicos e Jornal do Apocalipse.

Kapel Furman

Formado em Cinema pela Faap e especialista em coordenação de cenas de violência, efeitos especiais e maquiagem de efeitos, seu currículo inclui filmes como “Os famosos e os duendes da morte”, “Amarelo manga”, “Encarnação do demônio”; e as séries de TV em 9mm: “São Paulo”, “Antonia” e “Carandiru”. Foi indicado ao prêmio de melhores efeitos especiais da Academia Brasileira de Cinema pelos filmes “O cheiro do ralo” e “Encarnação do demônio”; conquistou prêmio de melhor maquiagem na Mostra Curta Fantástico 2008, pelo filme “Rock Rocket: Doidão”; premiado no SICAF – Seul International Cartoon and Animation Festival, 2001, na Coreia; Palmares Mejores Efeitos Especiales, no Buenos Aires Rojo Sangre, 2005. Estreia como diretor de longas-metragens com “Pólvora negra”, ganhador na categoria melhor longa Ibero Americano no BARS2011 e melhor trilha sonora no Prêmio Sesi de Cinema 2012.

Luciano Maciel
Nasceu em São Paulo, formou-se em Ilustração Publicitária pela Escola Panamericana de Artes (SP) e em Cinema pela Faap (SP). Foi assistente de câmera em inúmeros curtas-metragens. Além de atuar como operador de câmera desde 2002, também é diretor de fotografia; trabalha com grandes produtoras do mercado publicitário de São Paulo. Paralelamente, desenvolve seus projetos pessoais. Dentre os quais, o filme “Conrad – bruxaria, pajelança & canibalismo”, que recebeu menções honrosas do júri e da  ABD&C-RJ (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragistas do Rio de Janeiro), no 8º Festival de Curtas Metragens do Rio de Janeiro, além de premiado como Melhor Curta Brasileiro de Horror, no 14º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

Matheus Parizi
Graduado em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC (SP), trabalhou como diretor, dramaturgo e assistente de direção em inúmeras produções. Em 2008, após encenar “A voz humana”, de Jean Cocteau, em São Paulo e no Rio, mudou-se para Nova York, onde estudou cinema e trabalhou na indústria até 2011. Em 2012, escreveu e dirigiu, com Fernando Camargo, o curta “O Afinador”, que estreou na Mostra Orizzonti, como o único filme brasileiro a integrar a seleção do Festival de Veneza 2012. “O Afinador” recebeu ainda Menção Especial do Prêmio Signis no Festival de Havana, o Prêmio de Aquisição Onda Curta no Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro e tem sido exibido em diversos festivais. Atualmente, desenvolve o roteiro de seu primeiro longa-metragem, “Psicografia”, pelo Torino Film Lab.

Marcio Mehiel
Diretor e preparador de atores, criou e ainda desenvolve a técnica Físico-Energética, voltada à atuação. Em seu Ateliê de Artes e Ofícios (SP), desde 2005, realiza inúmeros trabalhos em Cinema, TV e Teatro. Em TV, fez a preparação do elenco da série “FDP” (HBO), premiada pela APCA como melhor série de 2012, e também de “Família imperial”, série infanto-juvenil (Canal Futura e Disney Channel), com direção geral de Cao Hamburger. No cinema, preparou o elenco dos longas “Na quebrada”, direção de Fernando Grostein Andrade, ainda inédito, e “Fios de ovos”, de Matias Mariani e Maíra Buhler. Além dos curtas “Doce amargo”, direção de Rafael Primot e “Assuntos de família”, de Caru Alves, ganhador de vários prêmios. No teatro, entre outros, é autor de “Um dia a menos”, inspirado na obra de Clarice Lispector.

Maurício Paroni de Castro
Nascido em 1961, cursou Direito e Filosofia na USP. Morou em Milão por 15 anos, onde diplomou-se na Scuola D’Arte Drammatica Piccolo Teatro di Milano, hoje Paolo Grassi, onde foi professor residente de 1985 a 1999. Desde 1998, está artisticamente associado à companhia escocesa Suspect Culture. Foi professor residente na Universidade Statale di Pavia (Itália), da Volda Universitat (Noruega) e da Royal Scottish Academy of Music and Drama (Escócia). Teve como professores, entre outros: Tadeusz Kantor, Thierry Salmon, Josef Svoboda, Eckhardt Schall, Martin Esslin, Iva Hutchison Formigoni, Enrico Job, Hubert Westkemper, Luca Ronconi, Massimo Castri, Vannio Vanni, Gigi Saccomandi, Ettore Capriolo, Lorenzo Arruga e Heiner Müller, com quem trabalhou como ator no espetáculo “Shakespeare Cocktail”, em 1988. Dirigiu mais de 40 espetáculos entre a Itália, o Reino Unido e o Brasil. Trabalhou em Portugal, Noruega e República Tcheca. Atualmente, coordena o projeto Chá e Cadernos, na SP Escola de Teatro e dirige a companhia Atelier de Manufactura Suspeita.

Thiago Parizi
Artista mulitimídia brasileiro, que vive entre Varsóvia e Barcelona. Graduado em Artes Plásticas na Faap (SP) e, atualmente, cursando o Mestrado em Artes visuais e educação: uma perspectiva construcionista, na Universidade de Barcelona, Espanha. Trabalha com arte desde 2005, tendo participado de mais de 30 exposições nacionais e internacionais; é co-criador, juntamente com Fernando Visockis, da parceria artística PirarucuDuo (2009); co-criador da produtora audiovisual Antítese (2011), com Matheus Parizi.

Patricio Salgado
Formado em Publicidade pela Faap, trabalhou como diretor de arte em desenvolvimento de materiais promocionais na Sony do Brasil e como diretor de arte em agências de publicidade até ter contato com a internet, inicialmente criando loops de áudio e depois como webdesigner, para a produtora Paleotv. Faz trilhas sonoras e sound design para cinema e estreou como diretor em 2005, com o curta “Negro e Argentino”. Atualmente, desenvolve projetos de cinema, vídeo e internet.

Maria Clara Lucchetti Bingemer
Possui graduação em Comunicação Social pela PUC (RJ); mestrado em Teologia pela PUC (RJ), e doutorado em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atualmente, é professora associada ao Departamento de Teologia, direção e coordenação do Centro Loyola de Fé e Cultura, decana do CTCH e professora associada da PUC (RJ). Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Teologia Sistemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Deus, alteridade, mulher, violência e espiritualidade. Nos últimos anos, tem pesquisado e publicado sobre o pensamento da filósofa francesa Simone Weil. Atualmente, seus estudos vão na direção, principalmente, do pensamento e escritos de místicos contemporâneos e da interface entre Teologia e Literatura.

Serviço
Instalação audiovisual: “Metaxu em oito”

Quando: Sessões de 16 de julho a 2 de agosto, de segunda a sexta, das 18h às 21h
Hoje (22), às 19h30, bate-papo com os diretores e as idealizadoras do projeto
Dia 30 de julho, palestra com Maria Clara Bingemer, às 19h30.
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt
Praça Roosevelt, 210 – Consolação
Tel. (11) 3775-8600
Entrada gratuita
 

Texto: Esther Chaya Levenstein